Ano Novo, velhas pendências: Até quando?

Sábado, 06 de Janeiro de 2018.

Primeiramente, devemos, como cristãos, agradecer à Deus pela Graça de havermos conseguido chegar com saúde e disposição renovadas, ao ano de 2018. Afinal, quantos dos nossos contemporâneos de caminhada ficaram parados no tempo, vencidos pelo cansaço de não haverem logrado êxito em suas muitas investidas pessoais, familiares, sociais, ou que partiram para jornadas noutros planos dessa nossa infinita existência. A nos outros coube, contudo, a incumbência de superar desafios e persistir na luta diária pela igualdade indistinta, não obstante as diferenças, dificuldades, características específicas, singularidades, próprias da condição humana neste orbe planetário.
Como destacado no título dessa conversa, “Ano novo e velhas pendências...”, chamo atenção para antigos e recorrentes problemas básicos que já poderiam ter sido sanados por quem de responsabilidade e competência na gestão pública. Por mais bem-intencionados que possam ser os gestores municipais, porque estamos nas cidades e nelas vivemos, sempre falam mais alto os vícios da velha política e seus tradicionais esquemas de favorecimentos para que a máquina pública funcione. Não nos esqueçamos das alianças políticas firmadas em torno das coligações partidárias nas recentes eleições municipais, cujos caciques ocupam cargos estratégicos na administração das cidades, sejam especialistas ou leigos nas áreas. Regra do jogo político, embora prejudicial à sociedade. Por essas razões, nada corretas do ponto de vista ético, é que o dinheiro nunca dá para sanar velhas pendências, mesmo assim, vigoram e persistem à custa do sacrifício da maioria.
Todos estamos cansados de saber que o atual modelo político não atende nossas expectativas e que é preciso tomar as rédeas, deixando de vez o infortúnio e optando por algum modelo de gestão pública que nos sirva e corresponda. Temos consciência da necessidade de rediscutir o pacto federativo, para que o que pagamos em impostos deixem de desaguar no planalto central, priorizando as tramoias e alianças espúrias arquitetadas em Brasília. Em pleno Século XXI é inadmissível a falta de planejamento urbano em nossas cidades; a inexistência de abrigos em pontos de embarque e desembarque no sistema de transporte coletivo; intolerável a ausência de intérpretes de libras nas classes regulares do sistema público de ensino, em atendimento às necessidades dos estudantes surdos do ensino fundamental e médio; inaceitáveis quaisquer desculpas para a ausência de profissionais de apoio para atendimento de crianças autistas nas escolas da rede pública; interdição do calendário escolar por motivos diversos, sem respectiva reposição de aulas e conteúdos; meio turno nas escolas da rede pública, quando é de domínio público a importância do ensino em horário integral. Conviver com frequentes violações do direito de ir e vir nas calçadas das nossas cidades, pois seu péssimo estado de conservação reforça o desrespeito dos gestores públicos para com pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida. Somam-se a essas inúmeras questões pendentes que nos afrontam diariamente.
Sejamos objetivos na busca de soluções, algo ao nosso pleno e rápido alcance. Comecemos pelo que seja de fato prioridade. Vamos lá! Existe de fato necessidade de manter as atuais despesas com os Legislativos Municipais? O cargo de vereador deve mesmo ser remunerado? Quanto nos custam despesas com pessoal, materiais e logística para cada gabinete de vereador? Há meios de economizar nas Câmaras Legislativas? Por que mantemos cargo de vice-prefeito? O cargo de vice-prefeito é mesmo indispensável? Qual é o custo do gabinete do vice-prefeito? As autarquias municipais estão sendo administradas com seriedade? Atendem aos interesses da sociedade ou apenas servem de cabides de emprego para membros da velha política? Qual a destinação de seus lucros? Devem ser moralizadas, enxugadas, auditadas e privatizadas? Quais critérios adotar, caso necessária privatização?
O mesmo exercício pode e deve ser feito na estrutura dos demais poderes, o Executivo e Judiciário, universos de privilégios que não mais fazem sentido. Conseguem perceber o quanto de gordura temos para queimar? Quanto dinheiro mal-empregado que, se economizado, seria fundamental para resolver velhas pendências do Ano Novo. De que adianta apenas passar as páginas do novo calendário sem que nos mobilizemos para mudar nossa própria visão de mundo, nossa percepção do que de fato nos esteja sendo útil, que possa garantir dias melhores para todos. Isso é demonstrar prontidão, desconstruir velhos esquemas, exercer consciência cidadã, como nos países onde já foram alcançados status de sociedade desenvolvida. Que nos livremos da velha roupagem, cenários e comportamentos de sociedade subdesenvolvida. Esse nosso novo desafio a ser trilhado, enfrentemos, as futuras gerações terão orgulho dos nossos feitos, façamos por merecer.

Por Dr. Willian Machado

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