As CEBs no mundo urbano

Quarta, 24 de Janeiro de 2018.

Que saibamos reconhecer e cuidar dessa semente que por esses tempos brota nas terras vermelhas de Londrina PR. Assim se expressou a querida Igreja paranaense que, desde ontem e até o dia 28pf., acolhe o 14º Encontro Inter-eclesial de CEBs (Comunidades Eclesiais de Base). O tema do encontro: “CEBs e os Desafios no Mundo Urbano”. E o lema; “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7).Representantes de todas as regiões do Brasil, de muitos países da América Latina, de outros lugares do mundo, outras religiões e crenças estão reunidos para celebrar a diversidade e a beleza de viver o Evangelho de Jesus de Nazaré, na busca da paz, compreendida como fruto da justiça. Estamos ali representados pelos trirrienses: Ir Casilda, Ir Aparecida, Marineis, Sandra, Galdino, José Soares e Francielli, juntos a outros nove de nossa Diocese de Valença.. O intereclesial é um momento marcante e significativo para as CEBs que avalia, indica caminhos e promove a unidade das comunidades.
As CEBs-Comunidades Eclesiais de Base de todo o Brasil se organizam, promovem reflexões sobre o tema, indicam e constroem caminhos para continuar seguindo os passos de Jesus de Nazaré, decidindo caminhar com os que estão nas periferias geográficas e/ou existenciais, especialmente nos grandes centros urbanos. O Intereclesial é sempre momento de Graça para a Igreja do Brasil, é uma celebração do Povo de Deus, espaço para confrontar a nossa prática com a prática de Jesus, onde se vive a comunhão eclesial e a partilha, o ecumenismo e o diálogo com outras religiões e outras culturas. Serão três momentos importantes, de reflexão, partilha e construção coletiva dos rumos que para seguir, retomar, re-significar e acima de tudo reafirmar a identidade e valores desse jeito de ser Igreja.
As CEBs não são um movimento ou pastoral dentro da Igreja, mas um jeito novo de ser Igreja mesma, marcado pelo protagonismo dos leigos, pelo forte sentimento de comunhão eclesial, pela centralidade da Palavra de Deus, pela presença ativa dos pobres e excluídos, pelo compromisso cidadão com uma nova sociedade fundada na justiça, na solidariedade e na paz e pela articulação inclusiva entre fé e vida tiveram suas origens, aqui no sudeste, nas dioceses de Valença e Barra do Piraí-Volta Redonda. Foram reconhecidas, apoiadas e incentivadas por todos os papas conciliares desde Paulo VI até o atual e tão querido Francisco. Nas orientações pastorais atuais do episcopado latino-americano, em suas conferências de Medellín, Puebla, São Domingos e Aparecida são, não só reconhecidas e valorizadas, mas incentivadas por serem expressões fiéis das comunidades da Igreja nascente.
O encontro atual, em curso, foi ricamente preparado pelas bases populares e laicais que com ousadia e sabedoria encararam os desafios do mundo urbano a ser evangelizado. Os muitos dramas do mundo urbano, como as crescentes periferias, a alta taxa de desemprego, a falta de perspectivas para as novas gerações, o aumento da violência, sobretudo contra os jovens negros e pobres, ...são temas de reflexão, oração e novos compromissos das referidas comunidades. Em sua caminhada quotidiana utilizam de forma criativa e livre a metodologia da antiga Ação Católica do ver, julgar, agir e celebrar. Ao ver a realidade utilizam a contribuição das ciências sociais. Julgam o seu olhar à luz da pratica de Jesus, que inspira ações revolucionárias no agir em favor de uma sociedade do bem-viver. E, por fim, celebram as lutas em celebrações múltiplas e inculturadas.
Tudo isso implica numa práxis eclesial, modelo para toda a Igreja em que fé e vida, vivência eclesial e compromisso cidadão se relacionam e se interpenetram. Igualmente priorizam a evangelização da cidade, a partir das periferias urbanas e existenciais, enquanto condenam veementemente a economia de mercado excludente, bem como o poder politico autoritário, corrupto e excludente. Do ponto de vista interno da Igreja, os leigos e leigas abraçam ministérios, até a pouco reservados aos padres e participam da vida, missão e decisões da Igreja. Assim, a comunhão não se restringe a uma mera unidade formal, mas uma comunhão sacramental verdadeira, a qual implica num espírito democrático. A religiosidade popular é resgatada e valorizada! Uma Igreja de todos para todos!
Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro