Dona Rozenda, ícone para o laicato

Quarta, 30 de Agosto de 2017.

Essa última semana do mês vocacional é dedicada à reflexão e à oração para o conjunto dos fiéis batizados para que descubram seus dons carismas específicos e os façam atuar mediante a riqueza plural dos serviços e ministérios eclesiais. A riqueza e a forças das comunidades são estes irmãos/ãs servidores/as que se convencionou chamar de leigos e leigas. Pela graça sacramental devem participar, com os ministros ordenados (padres, bispos e diácono) e os/as consagrados/as (frades e freiras), na vida, na missão e nas decisões da Igreja.
O laicato participa, pois da vida eclesial enquanto se alimenta das orações e dos sacramentos e cultiva a fraternura nas relações comunitárias. Participa igualmente da missão acolhendo o reconhecimento, a confirmação e o envio da Igreja para que ponham seus dons e carismas a serviço dos demais mediante os incontáveis serviços e ministérios necessários à comunidade e à presença na sociedade. Enfim, co-decidem com os pastores sobre a vida interna e externa da Igreja. Isso é comunhão! A Igreja não está dividida em classes em que uns mandam (a hierarquia) e outros obedecem (laicato).
Essa igualdade fundamental de todos na Igreja, na variedade carismático-ministerial, visa o seguimento de Jesus Cristo, na comunidade eclesial, em vista do serviço do Reino de Deus – nossa vocação comum – abraçando a cruz até o fim. O Reino de Deus é o mundo do jeito que Deus quer. Dai a importância do protagonismo dos leigas e leigas no exercício da cidadania, no testemunho dos valores éticos do cristianismo na sociedade, para uma vida cada vez mais bonita, feliz e fraterna para toda pessoa humana. Urgência, pois, de se incentivar a militância nos movimentos populares.
Essa vocação brilha de modo exemplar na Paróquia de São José Operário, em toda a cidade de Três, como para toda Diocese de Valença, no legado testemunhal da querida e veneranda Rozenda de Alcântara Moraes. Nascida em Carangola, MG, em 06 de novembro de 1929, veio bem nova para Três Rios aonde se formou como professora no Colégio Entre Rios. Ainda jovem foi operária da Fábrica de Balas Lira e, logo depois de formada fundou a sua Escola Santa Efigênia, mais tarde municipalizada. Formou gerações de cidadãos cristãos presentes nas famílias, no trabalho, na Igreja e na sociedade.
Casada com Dario Moraes, teve cinco filhos, seis netos e dois bisnetos. E estendeu sua maternidade na inclusão de crianças carentes na Casa Amarela. Professora e Catequista modelou o caráter do conjunto dos filhos das famílias do bairro. À juventude deixou o Campo de Futebol do Triângulo, fruto de muita luta. Valorizou muito o operariado da Indústria Sola, promovendo festividades em parceria com a E.M. Modesta Sola. Nessa mesma perspectiva participou da criação e mais tarde resgatou a Banda Primeiro de Maio e, com ela, promoveu até os dias atuais as alvoradas do Dia do Trabalhador.
Na vida eclesial, presente nas várias frentes do Apostolado da Oração, da Liturgia, especialmente como Ministra Extraordinária da Comunhão Eucarística, e da Catequese com as inesquecíveis coroações tinha como paixões, o grupo de oração Terço das Almas – presente ate hoje - e a promoção das vocações especiais, chegando encaminhar e ordenar três padres e uma freira, além de fazer de sua filha uma teóloga leiga. Cantava em muitos corais e depois de uma vida inteira batalhando deixou como seu último legado o espaço de lazer comunitário, a Praça Dario de Moraes.
Enfim, estendeu o seu apostolado laical até às vizinhas cidades mineiras de Santa Fé e Mar de Espanha, além de deixar ali o marco material de sua missionariedade, a Capela de Santa Efigênia. Na Festa da Transfiguração do Senhor, dia 06 de agosto, acolheu definitivamente a ternura de Deus Salvador em sua vida indo viver com Ele para sempre no céu. Certamente sua atitude orante que se eterniza, além de seu testemunho perene de serviço à Igreja e à sociedade será um impulso constante ao engajamento dos cristãos. Afinal, Dona Rozenda, ícone para o laicato!
Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro

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