Espiritualidade Missionária

Quarta, 25 de Outubro de 2017.

Iniciamos a semana com a celebração do DNJ-Dia Nacional da Juventude e no próximo domingo estaremos festejando o Dia Mundial das Missões. O tema que une, nesse ano, esses dois eventos eclesiais é o serviço à vida. Em pleno contexto de degradação da vida, ferida pela grave crise sócio-econômica-politica-cultural que passa nosso país, a Igreja assume como seu, o projeto pessoal de Jesus: Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10). A Evangelização não pode não ter como prioridade acordar nos corações o Mandamento Novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei(Jo 15,12). Há um grave déficit de amor que se manifesta na perversidade calculista e assassina do sistema econômico neoliberal e no frio, egoísta e autossuficiente individualismo casado com a omissão cidadã.
As juventudes cristãs reagem positivamente a esse caos social fazendo do DNJ o seu instrumento imediato de reação a tal situação ignominiosa, quando resgata a esperança bíblica: os humildes herdarão a terra! Assim, em nossa Diocese, pudemos testemunhar centenas de jovens reunidos em Miguel Pereira contagiando-se de alegria, pelo encontro pessoal com Jesus Cristo, e abraçando o seu projeto de amor libertador, comprometidos com os pobres, especialmente com as juventudes excluídas das escolas e do mercado de trabalho, socialmente marginalizadas, culturalmente alienadas, economicamente sem futuro, desesperançadas e moralmente mergulhada numa crise de valores. A fé juvenil vibrante e comprometida ai experimentada reacendeu em muitos corações a chama da caridade, da justiça e da paz.
Agora, caminhamos – em todas as Igrejas do Brasil – para a Festa das Missões, no próximo final de semana. Ao longo desse mês de outubro os Círculos Bíblicos, os Grupos de jovens e Casais, as muitas pastorais e os movimentos eclesiais de leigos refletem e rezam sobre o Mandato Missionário de Jesus: Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos meus... (Mt 28,19). E deixam claro no envio os sinais de VIDA que autenticam a veracidade da missão e a santidade dos missionários: Estes são os sinais que acompanharão aos que tiverem crido: em meu nome expulsarão demônios, falarão em novas línguas, pegarão em serpentes, e se beberem algum veneno mortífero, nada sofrerão, imporão as mãos sobre os enfermos, e estes ficarão curados (Mc 16,17-18). Sinais de vida: as forças da morte serão vencidas!
Esse claro e gratuito serviço à vida de todos constitui, como dissemos, sinais de vida que brotam de Jesus Cristo que, assim a nós se apresentou: Eu sou o caminho a verdade e a vida (Jo 14,6). Daí que a missão evangelizadora não se esgota no compromisso social, mas implica necessariamente no anúncio explicito e testemunhal de Jesus Cristo para que o mundo creia e seja salvo, já aqui e agora, e na vida futura, como rezamos na oração do Pai nosso: seja feita a vossa vontade aqui na terra como no céu” (Mt 6,10). Implica, como recordamos imediatamente a cima, fazer discípulos do Mestre Jesus (cfMt 28,19). E mais: aquele que crer e for batizado será salvo, o que não crer será condenado (Mc 16,16).A adesão pessoal a Jesus e a conversão permanente ao seu projeto de vida é, em definitivo, a razão ser cristão e missionário.
Trata-se, pois do seguimento de Jesus, tal qual vem explicitado em sua despedidaa Pedro, quando volta ao Pai: Tu me amas? Frente à sua resposta três vezes positiva, não só lhe diz Apascenta minhas ovelhas (Jo 21,15-17), mas por duas vezes ordena: Segue-me! (Jo 21,19.22). Assim, precisamos estar atentos para não confundir a missão com marketing religioso. A propagada proselitista prega apenas a fé em Jesus em vista do mercado religioso. Já a missão evangelizadora, além da fé em Jesusanuncia, testemunha e convoca à fé de Jesus:quem quis vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me! (Mt 16,24). E na última Ceia ordena: Dei-vos o exemplo para que façais o mesmo (Jo 13,15). Somos pois enviados a dar as Boas Noticias ao mundo de hoje que tem fome de Deus, sede de justiça, anseio de vida e desejo de paz!
Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro