Família, uma luz para a vida em sociedade

Quarta, 16 de Agosto de 2017.

Celebramos nesses dias com a Igreja no Brasil a 26ª edição da Semana Nacional da Família. O tema escolhido para este ano é “Família, uma luz para a vida em sociedade”. Trata-se de uma oportunidade para as famílias católicas possam refletirem sobre a dignidade, a importância e a missão da família e também, de sua relação com a sociedade e a cultura.A reflexão está em sintonia com o impulso da Igreja no Brasil para que seja percebida a importância das ações dos cristãos leigos e leigas na sociedade.

O papa Francisco pediu para que todas as comunidades se envolvessem com a família, fizessem da família o centro da ação evangelizadora. Então, o melhor jeito da gente celebrar essa semana é integrar os nossos grupos, as nossas pastorais, os nossos movimentos e todos os agentes da Igreja nessa missão urgente. Não para que fique só na igreja, mas para que possa levar o tema da família como luz para a sociedade. E dois aspectos se impõem: a afirmação da cidadania e o resgate dos valores morais.

Vivemos num Brasil em que a maioria das famílias se encontram em vis situações de sobrevivência. Isso devido à politica nacional que priorizou ainda mais radicalmente a riqueza para as elites econômicas contra o povo trabalhador. O altíssimo e vergonhoso índice de desemprego e a cruel situação dos subempregados não permitem a mínima sustentação das famílias. Faltam teto, terra e trabalho! E a nação está como que “anestesiada” pela indução da mídia dominante de que a responsabilidade é de quem já não governa mais.

As famílias assistem entorpecidas os noticiários que paradoxalmente mostram sem deixar ver a tramitação de leis contrárias ao povo trabalhador. Vive-se a sensação não só de impotência, mas, sobretudo de indiferença, frente o caos que se instalou e frente à ditadura sórdida dos corruptos. Vive-se um clima psico-social alienado-alienante de “caça às bruxas” sem o mínimo de percepção para com a gravidade dos projetos em curso, contrários aos interesses da nação de famílias empobrecidas, excluídas e descartadas!

Nesta Semana da Família a primeira prioridade é acordar a cidadania! Em todas as frentes evangelizadoras a proclamação da dignidade da família implica necessariamente no despertar das consciências para a indignação frente ao que ai está sacrificando aauto-sustentação familiar e, sobretudo, conscientizar, mobilizar e organizar a participação cidadã em cooperativas, associações de moradores, sindicatos, partidos políticos,... É hora de desligar a televisão uma noite por semana para priorizar o engajamento social.

De igual importância é a prioridade de se resgatar os valores morais em nossas casas, como no conjunto da sociedade. Vivemos o que os antropólogos chamam de cultura do cinismo. Abdica-se das convicções herdadas e elege por lei moral a supremacia da conveniência: “é correto, válido, permitido o que concorre para o meu próprio bem”! Não se considera mais a hierarquia de valores, mas vive-se uma dança de valores. As famílias estão como que barcos em alto mar sob o poder das ondas. Não se discerne mais o certo e o errado.

Exemplos típicos dessa realidade são o investimento do tempo na busca dos bens de consumo contra a presença familiar e a equivocada amizade dos pais com os filhos. Não se tem tempo para o encontro, o dialogo, pois “oque vale” é trabalhar para adquirir bens de consumo na sua maioria desnecessários, descartáveis e incapazes de gerar felicidade e paz duradouras. A casa se tornou uma pensão barata. Acresce a isso a imaturidade, irresponsabilidade dos pais que substituema presença educativa pela oferta de presentes aos filhos, comodamente vistos como amiguinhos.

Para enfrentar o desencanto e a perplexidade das famílias vital e moralmente feridas, bem como pedagogicamente equivocadas e fracassadas, urge, tratando-se de nossas iniciativas evangelizadores, promover a Pastoral Familiar na riqueza de seus movimentos eclesiais para que viabilizem pequenos e permanentes grupos em que os valores humanos universais e cristãos sejam confirmados frente à cultura pluralista, não obstante também, os valores da diversidade da mesma. “Família, uma luz para a vida em sociedade”!

Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro