Jubileu áureo da Irmã Pureza, serva dos maispobres

Quarta, 18 de Abril de 2018.

A Igreja de São José Operário, no último domingo, 15 de abril, acolheu centenas de fiéis que vieram para festejar os 50 anos de consagração religiosa da Irmã Pureza Gomes dos Santos, da Congregação das Irmãs Filhas de São José. Ela que nasceu em Portugal, em São Martinho da Cortiça em 03 de março de 1944; na juventude, ao conhecer as Filhas de São José, sentiu despertar a curiosidade de ser religiosa sem saber se iria dar conta... mesmo assim, o chamado ia confirmando o grande desejo de seguir como elas. Tinha algo nelas que lhe ardia por dentro: o trabalho, a oração e a comunidade.
Então, Irmã Pureza começou a rezar e perguntar o que Deus queria dela. Foi então que comentou com as irmãs e elas lhe informaram o que era ser Filha de São José. Pensou, refletiu, amadureceu o desejo e respondeu ao chamado pedindo para entrar para a Congregação. Foi admitida no ano de 1965. Daí a mudança foi grande... até de língua e nação. Terminado o tempo de formação da espiritualidade, Irmã Pureza foi admitida a fazer os votos de Pobreza, Obediência e Castidade.
Em seguida, começou a estudar uma profissão que a capacitasse para a missão própria da Congregação. Estudou Medicina Missional para trabalhar nas Missões na África. Assim concluídos os estudos foi enviada para Angola e lá serviu ao Senhor nos mais pobres. Lá também fez os Votos Perpétuos no ano de 1973. No ano de 1975 rebentou uma guerra civil, não havia mais segurança, tudo se tornou muito difícil, as Superioras retiraram a Comunidade de lá. Irmã Pureza retornou ao Continente Europeu e, de lá, pouco tempo depois, foi enviada para o Brasil. Pode-se dizer que já é mais brasileira do que portuguesa.
Entre nós, onde percebemos a presença da Irmã Pureza? Sempre ao lado dos mais pobres! Durante 12 anos (1976-1988) serviu com competência e generosidade no Hospital de Clinicas N. S. da Conceição, em nossa cidade. Retornou para Três Rios em 2015, vindo trabalhar na nossa Paróquia de São José Operário, no serviço de acolhimento às mulheres, na Pastoral da AIDS, no Clube de Mães, nas visitas aos enfermos e idosos. Uma rica missão alimentada pelo seu amor pela Palavra e pela Eucaristia; e por isso seu carinho com as liturgias.Assim o seu lema de vida pessoal consagrada: "Fizeste-me para ti senhor”!
O testemunho desta nossa tão querida religiosa repercute no conjunto de nossas CEBs-Comunidades Eclesiais de Base; em primeiro lugar, como um apelo de engajamento ainda mais comprometido dos leigos e leigas, nesse ano a eles dedicados. Temos, como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo, uma dupla missão: na Igreja crescermos na comunhão sacramental que nos une, pois somos de fato irmãos e irmãs pelo batismo; reina entre todos uma igualdade fundamental, na riqueza plural dos dons, carismas e ministérios que o Espírito Santo suscita no Corpo Eclesial.
Por outro lado, é exigência também do discipulado cristão o comprometimento com a construção de uma sociedade, menos desigual e mais fraternal, em que a justiça seja, segundo a tradição bíblica mais original, proteção aos mais fracos. Somos chamados permanentemente a sermos uma Igreja pobre, com os pobres e para os pobres. As pastorais sociais e os múltiplos serviços de caridade social encarnam e manifestam essa vocação comum de todos os batizados.
A vida consagrada, nesse conjunto eclesial, é pois sacramento para a Igreja daquilo que a mesma Igreja estar chamada a ser: sinal e instrumento do Reino de Deus na História. E o Reino de Deus, como sabemos pelas parábolas e gestos de Jesus, é o mundo do jeito que Deus quer. Ora, a vida orante e ao mesmo tempo integrada na comunhão eclesial e comprometida com os empobrecidos da nossa querida jubilanda é para o nosso tempo uma real e necessária atualização do carisma josefino de cuidar e proteger toda vida ameaçada.
Parabéns Irmã Pureza pela unidade integral de sua vida, espiritualidade e missão entre nós!Testemunhamos a sua declaração: “Minha missão foi em três Continentes, em tudo procurei servir o Senhor com alegria e dedicação”. Dai, o reconhecimento, apreço e escolha por todas as congregações religiosas de nossa diocese para a missão de Coordenadora da CRB-Conferência dos Religiosos do Brasil. À senhora e, na sua pessoa, à Congregação das Irmãs Filhas de São José a gratidão pela presença comprometida com a evangelização do mundo do trabalho.
Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro

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