Juventude Trirriense em sintonia com o Sínodo dos Jovens

Quarta, 04 de Abril de 2018.

O Sábado Santo - dia de esperança pelo Ressuscitado e pela nossa futura ressurreição - foi celebrado por um bom número de jovens das paróquias da cidade com uma conscientizadora e impactante Pedalada pela superação da violência. Tratava-se do 6º Passeio Ciclístico pela Paz, promovido pela Pastoral da Juventude, conjuntamente com os movimentos juvenis católicos: Segue-me, Shalon, RCC e EAC. À luz da Campanha da Fraternidade desse ano, nossos jovens procuraram responder de forma criativa e comprometida ao drama crescente de violência em nossa cidade. A força do amor e a fé na paz são mais fortes do que as armas, que as drogas! Esse gesto de evangelização social e cultural de nossos jovens está, por sua vez, em sintonia com o Sínodo Mundial dos Bispos sobre Juventude e fé, convocado pelo Papa Francisco para outubro próximo.
Recentemente mais de 300 jovens de todo o mundo estiveram reunidos em Roma (de 19 a 24 de março) e aprovaram um documento propositivo para o referido Sínodo como resultado de discussões em dezenas de países e sugestões recolhidas em grupos formados no Facebook por mais de 15 mil jovens. O documento é uma confirmação da primavera de Francisco entre o que pode ser descrita como a “juventude católica”.Nossa pedalada refletiu exatamente o destaque que o documento dá à luta contra a injustiça, a pobreza e a destruição do planeta: os jovens procuram envolver-se e abordar as questões de justiça social do nosso tempo. Buscamos a oportunidade de trabalhar para construir um mundo melhor. Nesse sentido, o Ensino Social Católico é uma ferramenta particularmente informativa para os jovens católicos que também desejam exercer essa vocação. Queremos um mundo de paz, que harmonize a ecologia integral com uma economia global sustentável. Os jovens ressaltam: desejamos ver uma Igreja que seja compreensiva e alcance aqueles que lutam à margem, os perseguidos e os pobres.
Vale, todavia sublinhar alguns outros pontos centrais do documento: diálogo, compaixão, apelos por uma Igreja menos severa e moralista, exigência de abertura eclesial às questões de gênero em geral... O tema de maior destaque no texto confronta o clericalismo relacionado, sobretudo, ao protagonismo da mulher no interior da Igreja. O encontro preparatório do Sínodo acolhe um movimento que tem sido ensaiado pelo Papa e representaria uma mudança histórica no interior da Igreja: uma aliança entre os carismáticos e os segmentos progressistas. Se tal movimento ocorrer, desenhará um novo perfil da Igreja no século 21. Ao assumirem-se como a jovem Igreja, os que estiveram em Roma querem que nossos líderes falem em termos práticos sobre esses assuntos controversos, sobre os quais os jovens já estão discutindo livremente sem tabu.
Trata-se – como faz o Papa - de uma agenda pautada pela misericórdia: Às vezes, sentimos que o sagrado parece ser algo separado de nossas vidas diárias. A Igreja muitas vezes aparece como muito severa e é frequentemente associada com excessivo moralismo. Às vezes, na Igreja, é difícil superar a lógica de “sempre foi feito assim”. Precisamos de uma Igreja que seja acolhedora e misericordiosa, que valorize suas raízes e seu patrimônio e que ame a todos, mesmo aqueles que não estão seguindo os padrões percebidos. Muitos daqueles que buscam uma vida em paz acabam dedicando-se a filosofias ou experiências alternativas. Para os jovens, a diversidade é uma riqueza que pode propiciar o diálogo e a tolerância. Isso não quer dizer abdicar da identidade cultural cristã. Não devemos temer nossa diversidade, mas celebrar nossas diferenças e o que torna cada um de nós único. Ou seja: é tempo de diálogo e não de guerras religiosas.
Mesmo porque, segundo o documento, as religiões tornaram-se aprisionadoras do espírito: Muitos jovens, ao serem perguntados sobre qual é o sentido de suas vidas, não sabem o quê responder... tendo perdido a confiança nas instituições, desvincularam-se da religião institucionalizada e não se veem a si mesmos como “religiosos”. Esta rejeição às religiões institucionalizadas não torna os jovens insensíveis à transcendência: estão abertos ao espiritual. E (...) anseiam por uma Igreja autêntica. Queremos dizer, especialmente à hierarquia da Igreja, que eles devem ser uma comunidade transparente, acolhedora, honesta, convidativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa. – proclamam os jovens. É tempo de Páscoa! Caminhemos juntos! Mantenhamos o rumo! Cuidemos da vida!
Medoro, irmão menor-padre pecador


Por Padre Medoro

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