Los Larios

Terça, 06 de Fevereiro de 2018.

Los Larios

O nome que melhor traduz a triste Taça Guanabara, um fracasso de público e de bom futebol, chama-se Los Larios. Com tanta vergonha do que tem para mostrar a sua torcida, o Fluminense foi se esconder atrás de uma moita em Xerém, distrito de Duque de Caxias. Para jogar daquele jeito, seria melhor que o gandula e sua lanterna não devolvessem a bola. Ou mesmo ela, cansada de maus tratos, caneladas e chutões, tenha se escondido, mesmo correndo os riscos de pegar uma febre amarela. Ao final da competição, pouco adiantou se esconder: ele mesmo, seu time, tratou de desaparecer das semifinais.
Sou ponta esquerda do tempo em que o Fluminense disputava, e ganhava, a Taça Guanabara jogando no Maracanã e na Rua Bariri. Tinha clássico suburbano também em Ítalo Del Cima e na Rua Teixeira der Castro. Identificados com a equipe que representava seu bairro, enchiam o seu alçapão, formavam a zaga com Renê, Moisés, Alfinete e Paulo Lumuba e tome gente xingando a gente colada no alambrado a cada escanteio. E aí ajeitávamos a bola, caprichávamos na cobrança, para mostrar o nosso valor. Havia desafios, embates, juízes acossados, torcedores saindo para o ladrão e quem ganhava sempre era o futebol e suas paixões coladas aos ouvidos da gente.
Já Los Lairos, é terra de ninguém. Ninguém torce por ninguém em Xerém. Tigres? Só um foi visto naquela mata atrás do gol. Sábado passado, contra o Macaé, apenas 654 torcedores tricolores levaram uma renda de 12.420,00 para os cofres do clube. Quantia que nem paga o salário do massagista, embora o Gerônimo merecesse mais. Mas e o Maracanã, porque não jogamos por lá?
A FIFA ofereceu ao futebol brasileiro um presente de grego. Ainda com sua maioria habitante abastecida pelo Bolsa Família, vivendo no Minha Casa, Minha Vida e se equilibrando com um salário mínimo, a entidade maior do futebol mundial reformou nossos barracos com piscina, salão de festas, lounge e ar condicionado central. Que poucos conseguem quitar sequer a primeira parcela do condomínio.
Melhor, então, deixar o barraco trancado, ligar o rádio porque o Canal Premiére é mais caro que o ingresso, e torcer para que na Taça Rio Los Larios seja, enfim, um pesadelo tão distante quanto sua distancia das Laranjeiras. Distancia do que jogavam Pedro e Washington, Sornoza e Rivelino, Ibanez e Edinho. Dos números de torcedores que acompanhavam nosso time, pagavam nossos salários e eram recompensados com um futebol à altura das tradições do Fluminense FC.

Por José Roberto Lopes Padilha

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