Manifesto do CNLB

Quarta, 13 de Junho de 2018.

Os cristãos católicos leigos e leigas tem uma organização própria, autônoma e, ao mesmo tempo em comunhão com os bispos, padres e diáconos, com as finalidades de alimentar a sua espiritualidade, promover uma unidade adulta e estimular a missão do laicato, não só na Igreja, mas, sobretudo, na sociedade. Trata-se do CNLB-Conselho nacional do laicato do Brasil que reunido em Belo Horizonte, 03 de junho de 2018, em sua Assembleia Geral Ordinária publicou o rico e comprometedor manifesto que a seguir compartilhamos.
“Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais”. (Papa Francisco, EG 102)
Nós, participantes da XXXVII ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA do CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL - CNLB, realizada em Belo Horizonte/MG, de 31 de maio a 03 de junho de 2018, refletimos profundamente as realidades do mundo e do Brasil, verificamos que o modelo de desenvolvimento econômico IMPOSTO ao povo brasileiro, aprofunda cada vez mais o empobrecimento e desigualdades da maioria da população, onde pessoas de todas as idades passam fome, não têm trabalho ou melhorias na qualidade de vida, para que se acumulem rendas destinadas ao capital financeiro.
Nosso país sofreu a deposição de um governo eleito pela maioria do povo brasileiro, substituído por um grupo que colocou o país na mão dos ricos e seus interesses. Por isso, além de não vermos legitimidade no processo político atual, discordamos das mudanças constitucionais IMPOSTAS com o congelamento dos investimentos nas políticas sociais e com a reforma trabalhista, e, da intenção de fazer a previdenciária. Isso destrói os avanços democráticos conquistados.
Nós, Cristãos Leigos e Leigas da Igreja Católica, sujeitos e protagonistas na Igreja e na sociedade, à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja, compreendemos que a dignidade humana, a democracia e o cuidado com a casa comum são o centro nesta construção da sociedade do Bem Viver. Conclamamos, pois, todos os cristãos, a que assumam individualmente e nas instâncias organizativas, ações concretas que visem:
► Constituir um outro modelo de desenvolvimento que tenha em foco a distribuição da riqueza para todos e todas, assegurando o respeito ao meio ambiente;
► Defender, em comunhão com nossos bispos, eleições diretas, a efetividade da democracia participativa, resgatar a importância da participação política e “assegurar que sejam realizadas (as eleições) de acordo com os princípios democráticos e éticos, para restabelecer nossa confiança e nossa esperança. Propostas que desrespeitam a liberdade e o estado de direito não conduzem ao bem comum, mas à violência” (cf. nota da CNBB nº 269/2018);
► Romper com o círculo vicioso das más notícias, denunciar e combater o uso das “fake-news (notícias falsas);
► Mobilizar a sociedade para uma ampla reforma política com participação popular, que inclua o Poder Judiciário;
► Realizar a Auditoria Cidadã da Dívida Pública Brasileira;
► Defender uma reforma tributária que torne justa a tributação;
► Denunciar a criminalização dos movimentos populares;
► Resgatar e fortalecer a relação democrática entre sociedade e Estado;
►Implementar a Lei do Renda Cidadã;
►Combater as perseguições, prisões e injustiças políticas;
► Estimular os eleitores (cidadãos) a NÃO votar nos candidatos à reeleição que votaram nas Propostas de Emenda Constitucionais em desfavor do povo brasileiro e da democracia.
Por fim, conclamamos aos cristãos leigos e leigas a viverem a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão na Igreja e na sociedade, sendo “fermento, sal e luz, até que tudo fique fermentado” (Mt 5, 13-14. 13,33).

Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro

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