NOTA DE REPÚDIO

Quarta, 22 de Novembro de 2017.

Faço minha a Nota de Repúdio da Igreja-irmã de Barra do Pirai-Volta Redonda, assinada por seu bispo –pastor e profeta- Dom Francisco Biasim, no Dia da Consciência Negra, 22 de novembro de 2017.

À Igreja que está em Barra do Piraí - Volta Redonda e aos homens e mulheres deboa vontade, comprometidos com a justiça e o bem comum.

“É Ele (Deus) quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções; nãojulgastes com retidão, nem observastes a Lei, nem procedestes conforme a vontade deDeus” (Livro da Sabedoria 6, 3b. 4b)

Interpelado pela Palavra de Deus, venho manifestar o descontentamento e o repúdio despertados em meu coração e no do povo fluminense, diante da decisão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, ALERJ, de suspender a prisão preventiva dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi.
De fato, no último dia dezesseis, por decisão unânime dos desembargadores doTribunal Regional Federal da 2ª Região, TRF - 2, foi atendido o pedido do MinistérioPúblico Federal que solicitava a prisão dos deputados estaduais acima mencionados. Trata-se, portanto, de uma decisão tomada por um órgão técnico e com competência para talmedida.
Todavia, numa sessão extraordinária da ALERJ, da qual a população foi impedidade participar, embora houvesse determinação judicial que indicasse o contrário, seguindouma prática escusa já praticada recentemente no Congresso Nacional e no Senado, trinta enove deputados e deputadas, numa votação de cunho eminentemente político, semconsiderar a autonomia dos poderes e o apelo popular, revogaram a decisão do TRF - 2,numa clara demonstração de corporativismo da pior espécie.
Desse modo, como cidadão, cristão e pastor, cabe-me a tarefa evangélica de dizer:“Ai de vós!” (Lc 6,25). Ai de vós que desconsiderais, por completo e sem escrúpulos, osofrimento dos pobres e excluídos, causado pela ganância daqueles que substituíram Deuspelo dinheiro, o serviço ao bem comum por vantagens pessoais ou de grupo, a ética pelatroca de favores, o amor pela indiferença e o cinismo.
Nessa hora ambígua e triste do Estado do Rio de Janeiro, já em plena falênciadevido à corrupção praticada por governantes inescrupulosos, ressoam bem apropriadas as palavras orantes do Papa Francisco, quando diz: “Peço a Deus que cresça o número depolíticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízesprofundas e não a aparência dos males do nosso mundo. (...) Rezo ao Senhor para que nosconceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo e a vida dos pobres” (Evangelii Gaudium, 205).
Apesar de consternado e evangelicamente indignado, essa é a minha esperança.Peço a Deus que a mantenha viva no coração do nosso povo, não obstante as evidênciascontrárias, e que nos ajude a realizá-la.

Medoro, irmão menor-padre pecador

Por Padre Medoro