O fuzil, o ônibus queimado e o medo

Sábado, 06 de Maio de 2017.

Nessa semana o mundo inteiro assistiu as ações de narcoterrorismo que ocorreram na cidade do Rio de Janeiro. Vimos cenas lamentáveis que ocorrem em países que se encontram em estado de guerra. Foram 9 ônibus queimados durante a terça-feira e uma ação de resposta rápida da Polícia Militar que culminou com a apreensão de mais 32 fuzis, uma série de prisões e de apreensões de drogas. Foi uma semana de muita tensão e com mais mortes de pessoas que “engordam” as estatísticas macabras em que homens, negros, jovens e pobres morrem sendo policiais ou criminosos. O fato é que essas características são preponderantes nessa guerra insana e perversa.

Todo o Estado sofre com as guerras entre facções criminosas que têm como objetivo o domínio do território para ampliação do mercado de venda de drogas. Nesse contexto a Polícia Militar tem buscado ocupar mais e mais territórios impedindo o domínio do poder paralelo e tem aumentado o número de operações policiais, bem como tem realizado ações de inteligência para desarticular dezenas de quadrilhas fortemente armadas que trazem o terror para o convívio da cidade.

O esforço é hercúleo. O desgaste da tropa é incomensurável e as condições de trabalho são precárias diante das dificuldades financeiras do Governo atual. E, ainda assim, a Polícia Militar, entendendo a sua importância na garantia da ordem pública, vem se mantendo de pé e em guarda.

Acrescente-se nesse caldeirão de problemas as incertezas e injustiças discutidas sobre as reformas trabalhista e da previdência social, as operações do Ministério Público, as prisões e liberações de políticos e empresários renomados, as manifestações sociais e, em meio a tudo isso, posicione a Polícia Militar com a delicada missão de garantir os direitos dos manifestantes, de liberdade de ir e vir das pessoas. O resultado não poderia ser outro que não uma grande crise institucional e uma falta de consenso sobre que rumo devemos tomar.

Toda essa situação atual tende a gerar um medo difuso na população, um medo que atinge a todos, um medo que muda o comportamento até daqueles que possivelmente nunca assistirão uma cena de terrorismo na sua cidade. Um medo doentio que se contrapõe com a desejada sensação de segurança que todos almejam. Esse medo nos chega pela tela da televisão, pelas mensagens das redes sociais, pelas conversas nas rodas de amizade.

Antes de tudo, passamos por uma crise de lideranças. Acredito que novas lideranças devem surgir desse caos. Que sejam líderes virtuosos e que o povo valorize e saiba identificar o caráter, a idoneidade moral, os princípios e o compromisso ético dos futuros gestores públicos e políticos das próximas legislaturas.

Ten Cel Márcio Guimarães é Comandante do 38º Batalhão da Polícia Militar e Mestre em Psicologia Social, especialista no tema liderança organizacional.

Por Ten.Coronel PM Márcio Guimarães