São José e o Papa Francisco

Terça, 13 de Março de 2018.

A Comunidade Cristã celebra anualmente no dia 19 de março, asolenidade de São José, Patrono da Igreja Católica. Esta data foi escolhida pelo Papa Francisco para celebrar o inicio do seu Ministério Petrino, de Bispo de Roma e Pastor Universal. Nesse ano comemoramos já os cinco anos do seu pontificado; considerado pelo renomado teólogo paulistano Fernando Altemeyer, o reformador católico do século 21; diria o novo José! Ele nos diz que o foco articulador do querido Papa é o cuidado prioritário dos migrantes e refugiados, fazendo a sua voz ecoar em favor das periferias do planeta insistindo na misericórdia e na alegria como um “modus operandi” da primavera franciscana. A motivação primeira é a missão e não mais a auto-conservação ou o narcisismo clerical. Agora é a hora histórica de uma Igreja em saída, seguindo os passos e intuições programáticas do Concílio Vaticano II.

Seguindo a sugestão do referido teólogo, merece destaque as inscrições no Martyriologium Romanum, no catálogo dos cristãos santos. Papa Francisco reconheceu publicamente 878 santos (até 06/03/2018) inscrevendo-os no cânon do Martyriologium Romanum e outros 1.115 beatos (também até 06/03/2018). O Papa João Paulo II havia incluído na lista canônica 482 santos e outros 1.341 beatos. Bento 16 havia inscrito no cânon 45 santos e 371 beatos. Publicou as canonizações de Paulo VI e Oscar Romero para outubro de 2018. Alguns peritos, lembra Altemeyer, afirmam que o papa Francisco fará as canonizações de inúmeros mártires da América Latina, África e Ásia. O Brasil espera fielmente as canonizações de irmã Dulce dos Pobres, Dom Helder Pessoa Câmara, irmã Adelaide Molinari, Santo Dias da Silva, Padre Josimo Moraes Tavares, Irmão jesuíta Vicente Cañas, Padre Ezequiel Ramin, Irmã Creusa do Nascimento, Simão Bororo, Rodolpho Lunkenbein, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, Sepé Tiarajú, entre as testemunhas do Cristo Ressuscitado. O Papa dos pobres é o Papa dos Santos!

Merece destaque, ao lado dessa perspectiva santoral, os discursos e textos importantes: Francisco até 11/03/2018 pronunciou 992 discursos, 274 homilias, escreveu duas exortações apostólicas pós-sinodais: Evangelium Gaudium (A Alegria do Evangelho) publicada em 24/11/2013 e Amoris Laetitia (A alegria do amor) em 08/04/2016; 34 constituições apostólicas, 165 cartas, uma bula, 30 cartas apostólicas, 216 mensagens, 31 motu próprios. Acolheu milhares de peregrinos em 219 audiências gerais, presidiu 438 celebrações na Casa Santa Marta com meditações publicadas, nove bênçãos Urbi et Orbi e, rezou 268 Angelus, das janelas do Vaticano. Proclamou e fez acontecer um Ano da Misericórdia em 2016. Escreveu duas encíclicas: Lumen Fidei, de 29/06/2013, e Laudato Si’, publicada em 18/06/2015. Presidiu dois sínodos da Igreja universal convocando outros dois, um para outubro de 2018 com o tema da Juventude e outro para outubro 2019, sobre a Amazônia, ambos para no Vaticano.

Poderíamos elencar ainda, não fosse o limite desse artigo, as suas viagens apostólicas, inclusive no Brasil na Jornada mundial da Juventude, seus múltiplos gestos pastorais enxercados da simplicidade evangélica e do cuidado imediato das vidas feridas e descartadas. Atualiza assim, não só os gestos de São Francisco, a quem escolheu como identidade reflexa de seu pastoreio, mas também de São José, cujo dia de sua solenidade tornou-se o dia do início do pontificado dele. E assim, a data de 19 de março, que já se aproxima, torna-se para a família católica o tempo de renovação ou reafirmação de nossa identidade cristã. Com São José, nas pegadas do Papa Francisco, reaprendemos o valor da vida familiar, o cuidado pelas vidas frágeis e ameaçadas, a valorização da classe operária e o sentido de pertença e serviço à Igreja de Jesus Cristo. Especial destaque, para o conjunto dos católicos: o valor do laicato como “sal da terra e luz do mundo”. Queremos, pois, como católicos, venerar nosso Patrono Universal em sintonia, comunhão mesma, com o Papa Francisco, especialmente com os leigos e leigas que servem em nossas comunidades.

Por Padre Medoro

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