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Publicado em 19/01/12
Novamente o Padroeiro

Sempre por essa época escrevo uma página sobre a antiga devoção do povo trirriense a São Sebastião. Essa nossa vassalagem local de fé cristã assume foros muito mais amplos do que tão somente os adstritos celebrados pela igreja católica, uma vez que ela está também incorporada à nossa identidade institucional, sob um paralelo profano, concreto e real.


O próprio nome do nosso município, enquanto distrito, chegou aos últimos anos do séc. XIX oficializado pela toponímia de São Sebastião de Entre-Rios. Sabe-se lá o motivo, mas de um dia para o outro o santo foi cassado do nome distrital oficial – como fonte disso, no nosso cartório de registro civil podem ser encontrados alguns assentamentos sob esse patrocínio. Nessa presença oficial e temporal ele é duplamente padroeiro da nossa cidade e de todo o nosso município (aí incluindo-se o 2º distrito de Bemposta, que tributa uma segunda devoção, distrital, a Nossa Senhora da Conceição). O próprio calendário oficial da municipalidade trirriense quando elege e confirma o santo como padroeiro local, por decorrência guarda o dia de 20 de janeiro como um dia santificado e assim decreta um feriado municipal. Observa-se que essa cíclica reverência católica vem provocando anuais, crescentes e democráticos protestos dos mais sectários defensores do estado laico. Em verdade, em verdade, São Sebastião aqui em Três Rios – à análise e obediência à nossa História – com todo o devido acato e respeito que merece é duplamente ícone místico da nossa fé católica e vulto histórico com grande enraizamento nas nossas mais antigas e gradas tradições.
 

Independente das referências institucionais que o padroeiro exerce no nosso cotidiano terreno, já escrevi também intensamente sobre as origens dessa nossa devoção. Para os mais interessados nessas origens a última vez foi na edição de 20 de janeiro do ano passado, inclusive já em edição on-line do nosso jornal. Para não perder o costume, disserto mais um pouquinho sobre as duas correntes que defendem o devotamento. Uma primeira, mais antiga, data aproximadamente de 1855 quando do início da construção do nosso trecho da estrada carroçável União e Indústria e a outra ao redor de 1870, inclusive com registro pertinente na imprensa da época. Essa segunda corrente dá como origem desse padroado uma devoção nascida da escravaria da Fazenda Boa União. Lego muita confiança de que essa dedicação de fé tenha mesmo partido, se ampliado e se conservado nos nossos escravos, tanto que a inauguração oficial da Colônia Agrícola Nossa Senhora da Piedade – nome original do hoje progressista bairro Vila Isabel – aconteceu no dia 20 de janeiro de 1883, como que em festejo e respeito à devoção dos escravos, então já libertos e contemplados com glebas de terras através da generosidade da recente finada Condessa do Rio Novo.Desviando um pouco do tema, considero oportuno ilustrar em comentários que o bairro Vila Isabel nascido sob o amparo eclesiástico e institucional de Nossa Senhora da Piedade, pela dedicação de fé, fortuitamente ou não, teve a sua colônia agrícola abençoada por São Sebastião,todavia, muito tempo depois  foi submetido ao devotamento de Santa Luzia, como se mantém até hoje.
 

São traços peculiares da nossa História que vão revelando pouco a pouco momentos do nosso pretérito e que reunidos em um conjunto vão dando formatação a uma urgente e necessária História maior do nosso município. Quiçá um dia cheguemos lá.

É historiadora.

ezite@oi.com.br

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