O ano começou com a louvável e urgente intenção cultural nascida do reconhecido espírito buliçoso e natural ativismo do homem de mídia Edson Jorge ,que após longo período de afastamento retorna aos microfones da sua tradicional Rádio Três Rios.
Seu regresso às lides da informação traz a boa nova de que pretende encetar uma campanha para tentar dar fôlego de revivida ao agonizante monumento ferroviário da área remanescente do que foi o movimentado complexo da nossa estação ferroviária, na Avenida Condessa do Rio Novo. Daqui declaro o meu deleite em merecer dele a lembrança para engajamento nesse meritório movimento cultural que, de imediato, recebeu a minha total aquiescência.O suporte afeto à minha colaboração inicial e naturalmente virá sob a forma de revitalizar dados históricos quase esquecidos. Essa aplaudida intenção não é inédita, já tomei conhecimento de fugazes iniciativas similares mas – embora às dores do incômodo permanente com aquele desleixo histórico e cultural – confesso a pouca fé que dirigi àquelas esporádicas campanhas por considerá-las inconsistentes já em seus nascedouros. Não lhes dei créditos porque não traziam a priori a metodologia do primeiro passo, imperativo de cobranças diretas e expressas aos naturais responsáveis pelo crime que ali se perpetra.Aquele monumento pela sua importância histórica não apenas para as tradições trirrienses tem também foco primaz na história ferroviária nacional,tanto que recebeu tombamento municipal em 1997 – imodestamente também em gáudio pessoal – por iniciativa do Conselho Municipal de Cultura.Isso significa em boa tradução: seu responsável direto e tutor imediato é o governo municipal de Três Rios,através da sua Secretaria de Cultura e Turismo.Na campanha do Edson,agora sim, a cobrança já foi feita aos microfones pelo diligente radialista que lidera a campanha cultural.
Dando partida ao meu suporte de colaboração, historiando um pouco daquela relíquia, em primeiro lugar é urgente que se faça emenda em uma falsa informação que se arrasta em um equivoco: por muito tempo ainda se repete que aquela obra notável foi inaugurada pelo nosso segundo imperador. Daqui também, humildemente,dou a mão à palmatória,posto que uma vez igualmente dei crédito a essa duvidosa fonte histórica e levei a citada incorreção para a 1ª edição do meu livro Aprendendo nossa terra, em sua página 109,erro que logo procurei sanar na revisão e atualização da sua edição subsequente.Em minha outra obra, Era uma vez ...,páginas 53 e 54,o leitor interessado poderá obter dados mais amplos e talvez mais fidedignos, – não ouso escrever definitivos,uma vez à lição basilar de que História é pesquisa permanente – sobre a vida,paixão e quase morte daquele monumento de obrigatória preservação póstera.
Por hoje do assunto paro por aqui ,mas muito motivada em continuar escrevendo sobre ele.Prosseguirei rabiscando meus bosquejos pertinentes e quiçá úteis ao louvável intento do radialista Edson Jorge.Em arremate de ponto final ,deixo a informação oficial de que D. Pedro II esteve aqui em Três Rios em apenas duas ocasiões de inaugurações solenes :uma em 1861 e outra seis anos depois,em 1867,quando das respectivas inaugurações da Estrada União e Indústria (rodovia carroçável) e a da estação ferroviária de Entre-Rios.Brevemente voltarei ao assunto.