Transmissão
A infecção pelo Mycobacterium tuberculosis quase sempre ocorre pela inalação de bacilos expelidos pelos pacientes, quando falam, tossem ou espirram. Isso porque a maioria das pessoas infectadas expele relativamente poucas bactérias, a transmissão só ocorre após longos períodos de exposição à doença ativa. Pacientes com pneumopatias extensas (como revela a radiografia do tórax), que apresentam tosses produtivas durante meses ou semanas antes do diagnóstico têm uma possibilidade de 50% de infectarem contatos domiciliares. Somente os portadores de doença ativa são transmissores e quando adequadamente tratados por pelo menos duas semanas, deixam se ser contagiosos. Adequada ventilação é o mais importante meio de prevenção da transmissão da doença.
O bacilo pode continuar no ar por períodos prolongados, prontos para serem inalados. Eles são pequenos o bastante para ultrapassar as barreiras naturais de defesa do organismo, como os pêlos nasais ou os cílios das vias aéreas. A principal infecção inicia quando o bacilo atinge os alvéolos, onde se multiplica dentro dos macrófagos. O contato sexual só transmite se houver tuberculose genital.
Fisiologia
Habitualmente, a infecção se inicia nos alvéolos pulmonares (80%) onde os bacilos são fagocitados por macrófagos. Alguns bacilos podem ser mortos imediatamente, mas outros se multiplicam dentro daquelas células. Em situações raras pode acometer outras regiões do corpo, especialmente em infectados com HIV e crianças.
A inoculação pelo bacilo pode resultar dois processos: infecção latente assintomática ou doença ativa. Dependendo da população, entre 10 a 30% dos inoculados progridem diretamente para a doença ativa.
Mais comumente, com o sistema imunológico intacto, resulta uma infecção latente assintomática. Inicia-se uma reação inflamatória aguda e inespecífica, formando um pequeno foco de broncopneumonia. Evolui para uma reação granulomatosa específica (2-4 semanas) e cura por fibrose e calcificação, mas nem todos os bacilos são destruídos, podendo permanecer viáveis por décadas.
O teste cutâneo da tuberculina (PPD) positivo e a identificação dos complexos de Ghon no RX de tórax são os únicos meios de identificar tais casos. A maioria das pessoas tem completas curas da infecção inicial e os tubérculos calcificam e perdem sua viabilidade. A partir daí, o sistema imune mantém equilíbrio com a infecção, às vezes por anos. Nos tubérculos, o bacilo pode persistir dentro dos macrófagos durante toda a vida (infecção latente), podendo, posteriormente, multiplicar e disseminar a doença.
Os pacientes podem permanecer saudáveis por anos, porém, em alguns, poderá haver uma reativação tardia de vestígios de lesões da infecção primária, especialmente se estão nos grupos de alto risco, ou seja, os não tratados adequadamente no passado e aqueles que apresentam depressão imunológica, como idosos, mal nutridos e imunocomprimidos.
Nesses casos, o bacilo pode sair dos tubérculos para os alvéolos e causar doença ativa, ou seja, se o sistema imune não consegue impedir seu crescimento.
Continua...