A ameaça da Reforma da Previdência e as eleições 2018: perguntas de um trabalhador que lê

Sexta, 28 de Setembro de 2018.

O anúncio por parte do presidente golpista Michel Temer (MDB) de que após as eleições será retomado o projeto de reforma da previdência deve servir como alerta aos brasileiros e brasileiras na hora de ir às urnas em 07de outubro no 1 turno e no dia 28 de outubro ao 2 turno. O presidente ilegítimo quer aproveitar o hiato entre final das eleições e a posse do novo congresso (deputados e senadores) e nova equipe presidencial em janeiro para tocar essa trágica reforma.
Já passamos diversas colunas nos últimos 3 anos mostrando como o projeto de reforma da Previdência é trágico para os trabalhadores e trabalhadoras. Elevar idade mínima para 65 anos para requerer aposentadoria, aumentar tempo de contribuição para 35 anos, aumentar idade para requerer benefício Previdenciário complementar (BPC, para idosos e deficientes sem renda que recebem 1 salário mínimo para se manterem), desatrelar aumento da aposentadoria do aumento salário mínimo, promovendo um achatamento previsível do valor da aposentadoria), diminuição da contribuição patronal (dos empresários) e estatal para previdência são exemplos trágicos de como a reforma da previdência tem o único objetivo de aumentar a exploração sobre trabalhadores e trabalhadoras. Até porque em nada toca nas inúmeras isenções fiscais que fazem com empresários deixem de recolher para previdência. Um exemplo banal é a constante redução da alíquota de impostos como COFINS (contribuição para financiamento da Seguridade Social) e CSLL (contribuição Social sobre Lucro Líquido) para diversos setores empresariais. Em nada toca sobre o regime de previdência de militares e judiciário que são fontes de inúmeros desequilíbrios!
O que as eleições 2018 têm relação com a ameaça do governo golpista de Michel Temer (MDB) votar à Reforma da Previdência? Temer afirmou expressamente que antes das eleições a reforma da previdência não avança devido a resistências dos parlamentares e o receio de não serem eleitos. O próprio Temer afirmou:
Depois das eleições, isso deixa de ser um problema. Acho que pode ser possível porque os deputados e senadores não terão a preocupação, legítima, de natureza eleitoral (...). Mas passada as eleições essa preocupação desaparecerá (https://www1.Folha.uol.com.Br/ mercado/2018/09/temer-diz-que-tentara-reforma-da-previdencia-apos-eleicoes.shtml).

O que significa a fala de Michel Temer que, passada as eleições, “a preocupação de natureza eleitoral de deputados e senadores desaparecerá”? O que quer dizer a expressão “depois das eleições isso deixa de ser um problema”?
Atenção leitores, leitoras ou eleitoras e eleitores, o que o presidente golpista quer dizer é que senadores e deputados poderão votar uma medida extremamente danosa a vida dos trabalhadores e trabalhadoras sem a preocupação de não serem eleitos. Que os partidos poderão fazer acordos sem medo da rejeição imediata dessa matéria. Será que nos deixaremos enganar de uma forma tão banal?
Vamos lembrar da linda mobilização da greve geral de 28 de abril de 2017 quando o Brasil parou contra essa sórdida medida. Quando em cada cidade brasileira demos um sonoro NÃO a essa canalhice que é aprovar a Reforma da Previdência. Cada eleitor deve perguntar a seu candidato ao Senado, à Câmara, à ALERJ (deputado estadual) como votarão na Reforma da Previdência. Vejam como cada partido posiciona-se. Nosso lema das mobilizações da Reforma precisa ser retomado. SE VOTAR A REFORMA NÃO TERÁ MEU VOTO! Que isso se espalhe por cada canto desse país.


Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ

Por Marcelo Melo

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