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A cadeia produtiva

Quinta, 19 de Março de 2020.

  A cadeia produtiva Desde que nascemos passamos a fazer parte de uma poderosa cadeia produtiva. Ao chorar na chegada, nossas mães nos levam ao pediatra que precisa receber para não chorar também. Por não ter recursos de evitar que chorem os seus filhos.
Ao prescrever um remédio, ele mantém de pé as farmácias que dão empregos a muita gente. Se formos buscar o remédio de carro, não iremos desempregar o Lobão e a Aline, os amigos da Tresauto, que precisam pagar o colégio dos seus meninos. Antes, é preciso abastecer, é e aí que o Almir, o gerente amigo do posto de gasolina, mantém suas contas em dia. E com as contas em dia...
Todos dependemos de todos para sobreviver em um sociedade. Temos responsabilidade em cada roldana que gira esta roda, a da cadeia produtiva, mas quando um país fecha seus aeroportos as agências de viagens, os taxistas, hotéis e suas arrumadeiras e os fabricantes de bebidas que abastecem cada frigobar farão o quê nesta vida?
Tão importante neste momento pandêmico é proteger tanto nossa saúde quanto a saúde do universo econômico em que estamos inseridos. Porque no final do mês, quando nos dirigirmos a tesouraria para buscar o contracheque, e ele atrasar por falta de recursos, aí vamos entender que o dinheiro que os abastecem não cai do céu. Surgem da cadeia produtiva, seja ela qual for. Faltar ao trabalho não vai resolver o problema de ninguém.
Realizar rodízios, despachar de casa o relatório, não adiar, realizar reuniões por vídeo conferências. E fechar a planilha com as mãos limpas sem deixar de cumprir seus compromissos.
Usar o álcool gel, sair de máscara e tentar chegar a pé no seu trabalho, se possível, para não aglomerar o ônibus, e o metrô, junto aos que mais precisam. O desabastecimento, o desemprego, o não estou nem aí e vou me isolar no quartinho pode causar mais danos à sociedade que o próprio vírus.
A globalização que nos trouxe em tempo real as inovações do Iphone do vale do silício, é a mesma que nos trouxe o coronavírus a jato lá da China. Agir com a velocidade das naus de Colombo, trancados 24 horas em casa, e não bater um só minuto o seu ponto na empresa, pode nos retornar ao escambo.
Sem a comida que não foi colhida, a água que não foi engarrafada, vou trocar a minha geladeira pelo fogão do meu vizinho. Ao trocar o quente pelo frio apenas escolheremos a temperatura em que iremos padecer precocemente neste mundo.

Por José Roberto Lopes Padilha

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