A Culpa é da PM?

Parte I O Roubo de Rua

Sábado, 22 de Julho de 2017.

Iniciaremos uma série sobre a responsabilidade da Polícia Militar e dos demais responsáveis pela segurança pública no Brasil. Precisamos esclarecer à sociedade sobre o papel de cada um nesse sistema complexo da segurança do povo que envolve aspectos, culturais, educacionais, econômicos e até de saúde.

Atualmente, a redução dos crimes de roubo a pessoas que circulam pelas ruas se configura em um grande desafio estabelecido para a Polícia Militar. São celulares, bolsas e carteiras sendo roubadas diariamente. E, por quê? Por quem? De que é a culpa?

A imprensa tem divulgado frequentemente neste ano o aumento de mais de 60% dos roubos de celulares em relação aos anos anteriores em todo o estado (G1, 2017) e que um morador do Rio de Janeiro é assaltado a cada 2 minutos (uol.com, 2017), assim como também vem divulgando a crise financeira que assola o povo carioca e gera milhares de desempregados, atrasos nos pagamentos dos servidores e nos repasses de recursos financeiros aos fornecedores. Devemos acrescentar ainda nesse caldeirão de problemas a crise ética dos gestores públicos, a qual já discutimos em colunas anteriores.

Diante desse quadro, fica bastante clara a relação entre o aumento da criminalidade e a crise ético-financeira do estado. Contudo, não cabe à Polícia Militar conter a violência? Conter os roubos e garantir o direito de ir e vir das pessoas?

Tenho acompanhado as redes sociais da cidade de Três Rios e sempre que ocorre um crime atípico para a cidade, e é bom que seja assim, que as pessoas não naturalizem o crime, enfim, quando um estabelecimento comercial ou alguém é assaltado, as pessoas gritam nas redes sociais: CADÊ A PM? Outros ainda acrescentam frases do tipo: SÓ SABEM FAZER BLITZ OU PRENDER TRABALHADORES!!! E, via de regra, pessoalmente respondo muitos desses questionamentos no limite da minha capacidade de interação. Entretanto, percebo uma necessidade muito grande de esclarecimento das pessoas.

Três Rios já atravessou vários meses nos anos de 2013, 2014 e 2015 sem que tivéssemos qualquer tipo de roubo na cidade e contávamos praticamente com o mesmo número de Policiais Militares no efetivo total do Batalhão. O que havia a mais era apenas um número de Policiais Militares que tiravam um serviço extra, pago pelo estado, o RAS (Regime Adicional de Serviço), serviço que aumenta a sensação de segurança das pessoas e inibe o cometimento de crimes em suas adjacências.

Com a chegada da crise o estado parou de pagar o RAS e também a manutenção das viaturas, além dos atrasos dos salários, o não pagamento da premiação de dezembro de 2015 e o 13º salário dos Policiais Militares. Logicamente, tudo isso afeta diretamente o aspecto motivacional de qualquer trabalhador, mas NÃO FOI O QUE OCORREU NO 38º BPM.

No ano de 2016 o 38º BPM, praticamente, dobrou toda a sua produtividade operacional, ou seja, aumentamos a quantidade de armas e drogas apreendidas, bem como o número de pessoas presas. Assim sendo, certamente evitamos muitos crimes que poderiam ter acontecido na cidade. Nesse ano, talvez o pior da minha carreira de 26 anos na PM, o 38º BPM não parou nem diante da greve promovida por esposas que impediram o funcionamento de diversos Batalhões. Ou seja, cumprimos estritamente nossa missão. E, ainda assim, os roubos têm acontecido.

Criamos mais um policiamento no centro com foco exclusivo em coibir roubos, instituímos o policiamento de bicicleta e temos realizado reuniões frequentes de motivação com a tropa, reconhecendo o esforço de todos.

Buscamos soluções criativas para a manutenção das viaturas, contando com a ajuda de políticos e empresários da região e em especial com o poder judiciário que tem convertido penas pecuniárias em peças para as viaturas.

Temos buscado mais e mais a participação da sociedade com vistas a troca de informações sobre aquilo que podemos melhorar em nossas atividades operacionais e de inteligência, as quais culminam em grandes operações de enfrentamento ao tráfico de drogas.

É preciso que as pessoas saibam o que a PM tem feito. É preciso que a sociedade saiba o que os demais órgãos devem fazer.

Intencionalmente, diversas perguntas que formulamos ao longo dessa coluna não foram respondidas para que você leitor possa refletir durante a semana e acompanhar essa série em que pretendemos, ao menos, esclarecer um pouco mais sobre o nosso trabalho e o papel de cada responsável por parte do sistema de segurança pública. Até semana que vem!!!

Por Ten.Coronel PM Márcio Guimarães

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