A culpa é da PM? - Parte II

A sensação de impunidade

Sábado, 29 de Julho de 2017.


Continuando a falar sobre a responsabilidade da Polícia Militar e dos demais responsáveis pela segurança pública no Brasil, hoje vamos nos ater ao “tripé”: A VONTADE, A OPORTUNIDADE E A CERTEZA DA IMPUNIDADE. Essas são as sensações de um criminoso em potencial, as quais o impulsionam para o cometimento do crime.
Obviamente, a vontade é a principal sensação que acomete quem pensa em praticar um crime e, são inúmeros os fatores geradores dessa vontade. Pode-se alegar o estado de necessidade, a influência do meio social, a absoluta ignorância, o inconformismo com o abismo entre as classes, debilidades psicológicas ou mesmo o mau-caratismo. O Fato é que a Polícia Militar nada pode interferir nessa vontade. É na oportunidade que atuamos.
Ao realizar o policiamento ostensivo, a polícia militar gera sensação de segurança para os cidadãos e reduz a oportunidade daquele que guarda a vontade de cometer um crime. Assim sendo, buscamos patrulhar todas as vias das cidades, permanecendo mais tempo presente onde ocorrem maiores aglomerações de pessoas.
As abordagens realizadas mediante fundamentada suspeita e as operações de fiscalização de veículos também contribuem na sensação de segurança.
Entretanto, a certeza da impunidade, vem se transformando no calcanhar de Aquiles da segurança pública. Temos tido a impressão de que os criminosos não temem a justiça. A cada dia nos deparamos com pessoas reincidentes em delinquir.
Lembro a todos de casos recentes como o assalto da padaria ou a morte do Prefeito de Chiador e constatamos que nesses casos os criminosos já possuíam extensa lista de crimes anteriores, assim como ocorre em diversos outros casos que prendemos em flagrante em nossa região.
Ao iniciar a escrita dessa coluna, fui informado que o VULGO “2T” (marginal fugido do Rio e preso pela PM em Werneck – Paraíba do Sul semanas atrás) foi solto. Isso mesmo!!! Foi solto por um tipo de falha no processo legal. Destaque-se que não houve falha na prisão, mas sim no processo, segundo fui informado preliminarmente. Há como crer que os criminosos não ficam impunes?
Sabemos que as cadeias estão superlotadas, que as condições dos presos são sub-humanas e que o judiciário está assoberbado de pilhas e pilhas de processo. Sabemos que muitos presos são criminosos de menor potencial ofensivo (os “ladrões de galinhas”), que o sistema penitenciário não vem cumprindo o papel de ressocializar e que a maioria dos crimes do “colarinho branco” os crimes cometidos por gente rica, por políticos e outras autoridades, esses crimes geralmente ficam impunes, mesmo considerando as últimas prisões de políticos corruptos.
Será que só a prisão dessas pessoas é a solução para a redução da criminalidade? É óbvio que não. Mas, quais são os esforços dos Governos e da sociedade para o enfrentamento dessa situação? Tudo fica “na conta” da polícia.
Nosso Excelentíssimo Ministro da Defesa, Raul Jungmann, declarou em rede nacional que as Forças Armadas estarão no Rio de Janeiro até dezembro de 2018 e tomarão medidas extraordinárias em uma situação que ele define como uma “espécie de guerra”. Disse ele que não gosta dessa palavra não vê outra designação para a situação. É a primeira uma autoridade assume publicamente o que a PM enfrenta diariamente em algumas áreas dominadas pelo tráfico de drogas. Estamos em uma GUERRA.
Há que se esclarecer que não cabe à PM o enfrentamento ao tráfico internacional de drogas e armas. Não nos cabe realizar investigações do narcotráfico e efetuar prisões a partir dessas ações. Não é nossa vontade permanecer em frequente confronto com marginais da Lei, gerando mortes de todos os lados. Contudo, como devemos nos comportar diante de tamanha desordem? Particularmente, sou defensor da polícia cidadã, da polícia comunitária, da polícia que atende às emergências do dia a dia da sociedade com humanidade e respeito.
Para muitos as Forças Armadas trazem uma certa esperança para a melhoria da sensação de segurança, em especial, nos grandes centros urbanos, mas como os “inimigos” serão tratados? Haverá alguma mudança que altere a CERTEZA DE IMPUNIDADE dos criminosos de hoje em dia? Haverá alguma política que repense o encarceramento e a ressocialização do apenado? Haverá uma política que reduza o desemprego e a desigualdade social? Haverá uma política que melhore os Índices de Desenvolvimento Humano das cidades?

Enquanto isso... A CULPA É DA PM!!!

Vamos acompanhar..

Por Bruna Spada

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