A Ergonomia e seus novos desafios...

Sábado, 04 de Agosto de 2018.

A Ergonomia e seus novos desafios...

Para que possamos falar sobre a “Ergonomia” precisamos entender seu sentido e sua importância em meio ao contexto histórico. A palavra Ergonomia provém do grego onde, Ergon significa (trabalho) e Nomos (leis ou normas). Na Grécia antiga o trabalho tinha duplo sentido: Ponos representava trabalho escravo, de sofrimento. Ergon, por sua vez, trabalho voltado a arte de criação, satisfação e motivação. O objetivo da Ergonomia é transformar o trabalho Ponos em trabalho Ergon, ou seja, fazer com que o trabalhador chegue ao fim de sua carreira envelhecido pelos anos e não pelas más condições do trabalho, ao longo do anos! Oficialmente, a Ergonomia começou o seu desenvolvimento em meio a 2ª Guerra Mundial (1939 – 1945) período em que se fizeram necessárias mudanças significativas entre a relação homem e as máquinas e equipamentos para que resultados satisfatórios fossem alcançados, ressaltando para os equipamentos militares. Os generais da época começaram a perceber que os soldados passavam por um grande trabalho no campo de batalha transportando os armamentos: eram pesados demais. A partir daí, começaram a desenvolver armas mais leves. Os equipamentos começaram a sair de fábrica tendo em vista o modo operacional dos soldados. Contudo, se analisarmos, o sentido da palavra Ergonomia é muito mais antigo: na pré-história, quando o homem desenvolveu sua primeira arma, machado, equipamento para a caça; naquele momento, nascia a Ergonomia. Em outras palavras, a Ergonomia pode ser traduzida por conforto. Não o conforto de ficar deitado numa rede, bebendo um refresco, na sombra e sim, o conforto mínimo para a execução dos trabalhos. Na atualidade, é o conjunto de ciências e tecnologias que buscam a adaptação confortável e produtiva entre o ser humano e seu trabalho, basicamente procurando adaptar as condições de trabalho às características individuais dos trabalhadores e não o contrário. Essa união de diversas áreas de conhecimento resultou em uma nova metodologia para se projetar que de tão positiva findou na criação da International Ergonomics Association (IEA) que traduzida para o português significa Associação Internacional de Ergonomia no ano de 1959. Podemos observar o quanto o processo produtivo e os ambientes de trabalho tem se modificado assistindo ao clássico dos cinemas “Tempos Modernos” escrito e dirigido por Charles Chaplin que atua de forma ímpar em um ambiente fabril. Com o passar dos anos e o amadurecimento desses processos novos desafios foram lançados para a ergonomia que se encontra em constante evolução. Muitas vezes posturas incorretas chegam a ocasionar mais danos à saúde do que a exposição a ruídos, calor, poeiras dentre outros. Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) problemas nas costas e lesões nos joelhos lideram o ranking de problemas de saúde que mais geram afastamentos de trabalhadores no Brasil destacando-se a dorsalgia. Muito se ouve falar hoje em dia a respeito de LER Lesões por Esforços Repetitivos e DORT Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho, pouco conhecidas até os anos 70 ambas tiveram rápido crescimento nos ambientes de trabalho em todo o mundo. Todo afastamento gera prejuízos para o empregador, colaborador, governo e para toda a população de uma forma geral,ocasionando um impacto financeiro negativo e inviabilizando investimentosem outras áreas como educação, esporte, lazer, cultura... No Brasil temos a Norma Regulamentadora NR 17 (Ergonomia) que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo conforto, segurança e desempenho eficiente.Esta norma existe desde 1978 (criação das Normas Regulamentadoras) e, somente a partir de agora é que as empresas estão se adequando, visto as exigências do eSocial (multas, pelo não cumprimentos das exigências). O cumprimento das normas vigentes, bem como ter o acompanhamento de profissionais capacitados; a Análise Ergonômica de Trabalho (AET), Laudos Técnicos, documentações exigíveis de um modo geral, “treinamentos, palestras, seminários, workshops” e ginástica laboral contribuem para uma cultura prevencionista, economia financeira e respalda os envolvidos. Conforme citação de Henry Ford, “não ache um culpado, ache uma solução”. O senhor é o nosso pastor e nada nos faltará.

Por Jheancarlos Garcia

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