A estrela que falta em Brasília

Sexta, 19 de Julho de 2019.

A estrela que falta em Brasília

Por trás daquele bonito gesto de libras na posse do marido, poucos entenderam os sinais embutidos de uma primeira dama que passaria seu mandato absolutamente calada. Como sua bela antecessora, Marcela Temer, sairia bem na foto. E desapareceria, por cem dias, no anonimato pelas cortinas do Palácio do Planalto.

Não há, mesmo para quem viveu nas casernas e não consegue, em um governo civil, conviver sem a companhia de generais e marechais, levar uma vida social e política sem o brilho de uma estrela mulher. Não outra na lapela. Mas ao lado do peito, dando luz e sabedoria aos que sobem, descem suas rampas e são reféns das decisões do poder em Brasília.

Como o fez a primeira dama Ruth Cardoso, que fundou a Comunidade Solidária, de combate à exclusão social e à pobreza. Tal como Sarah Kubitschek, responsável pela organização das Pioneiras Sociais, notável obra de assistência social, em Minas Gerais. E, como a Maria Letícia, a humilde costureira que cortou e bordou a primeira bandeira do Partidos dos Trabalhadores fundado por seu marido. O primeiro operário a se tornar presidente do Brasil.

E, beleza por beleza, Maria Thereza Goulart (foto) foi considerada, pelo jornalista Alberto Dines, a mais bonita das primeiras damas do Brasil. E mesmo assim não cruzou as pernas, foi responsável pela fundação da LBA, em Brasília. Já Darci Vargas, foi além. Trabalhou no Abrigo Cristo Redentor, inaugurou a Casa do Pequeno Jornaleiro e trouxe da Alemanha não roupas ou joias preciosas. Adquiriu, através de doações, o primeiro Hospital Volante implantado no país.

Se o capitão tivesse uma delas impondo sua autoridade, não vivendo na comodidade, deixaria de lado seu autoritarismo. E seus meninos teriam mais juízo. Que mãe ou irmã os deixariam se envolver com milicianos? Esconder o Queiroz debaixo da cama? Ir ao show do milhão, mesmo armado pelo Silvio Santos, e pagar o vexame de não saber o nome de um só presidente do país que tenha nascido em Minas Grais? Logo em um país que viveu, por décadas, sob o comando de um regime Café com Leite...

Enfim, nenhuma das primeiras damas citadas acima permitiria que um dos seus filhos fosse Embaixador nos Estados Unidos da América. Primeiro, os matricularia na Cultura Inglesa. Depois, arrumaria para ele um estágio no McDonald´s. Nenhuma primeira ou segunda mãe seria imprudente de embarcar seu filho para fritar não hambúrgueres na chapa, como o Eduardo disse ter aprendido. Mas derreter, de uma vez por todas, todo o nome e o respeito que deveriam ser concedidos à família de um Presidente da República.

Por José Roberto Lopes Padilha

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