A Felicidade

Sábado, 10 de Agosto de 2019.

A Felicidade

Ela está tão próxima da gente que a confundimos com nossa própria existência. Que veio colada aos nossos passos. E nos segue pelo caminho.
Muitas vezes, se apresenta imóvel. Como um quadro que passamos a admirar e saciar nossa momentânea fome pela arte, mas que somos incapazes de retirá-la da parede e levá-la para jantar. À luz de velas como merecem. Pode ser no Tito. Ou no Thiago.
Quantas vezes entramos pela porta de uma sala impecável, percorremos pisos brilhantes, encontramos roupas tão alinhadas nos cabides que esquecemos de ajoelhar aos seus pés. De tão felizes que nos fazem.
Ah! A felicidade!
Ela entra pela porta toda sexta sem bater, portando uma escova tão linda que somos incapazes de poupá-la de ir à feira em seu lugar. Buscar laranjas frescas, o queijo e o mel, as flores para o altar de Iemanjá.
E compra, a tal felicidade, uma blusa a cada seis meses na Emotion porque se coloca na reserva de uma blusa nova, titular da Reserva, para um filho. E deixa a Rua Tereza para trás e ronda a Feirinha de Itaipava em busca de uma lembrancinha porque precisa encontrar, antes, a bermuda nova da Taco para o outro filho.
No Bramil, permite ao maridos rondar a seção de queijos e vinhos e se contenta em degustar as novas fórmulas do Omo para que todos em casa brilhem por igual.
Mas quando sai do banho e joga um perfume sobre seus ombros, e a sensibilidade não alcança o convite, podem ter certeza, há vendas nos olhos, filtro nas emoções, divisórias que apontam descaminhos. Uma novela com final infeliz.
Nesses casos, nesses dias, somos nós, homens, que não merecemos ter o direito de acordar, comer, dormir e estar ao lado da Felicidade.
Porque a Felicidade é a mulher que você tem ao lado.

Por José Roberto Lopes Padilha

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