A frágil relação entre família e escola na atualidade

Quinta, 19 de Abril de 2018.

A escola é para todos e deve considerar as particularidades de cada criança, família, cultura, adotando práticas inclusivas e acolhedoras, e não discriminativas.
A diferença cultural e socioeconômica entre as famílias assistidas na comunidade escolar e educadores, contribui para que muitas crianças permaneçam alienadas em sala de aula e não aprendam, afinal, são realidades discrepantes que precisam funcionar em consonância.
No geral, o contexto familiar é um, e o escolar é outro, ainda que essa criança deva ser oportunizada com vivências diferenciadas, sua cultura e identidade precisam ser respeitadas e consideradas; mesmo que se tenham regras de funcionamento diferentes. A criança precisa enxergar traços do seu mundo na escola.
A relação escola/família encontra-se estremecida. Percebe-se por parte dos educadores a reprodução de um discurso de culpabilização familiar, onde os integrantes desse sistema, no geral, os cuidadores, são julgados como negligentes, omissos e ausentes. Dificilmente, a escola implica-se em compreender essa família de maneira não preconceituosa. Essa forma “cristalizada” de enxergar o sistema familiar acaba interferindo na relação da equipe escolar com a criança proveniente desse núcleo parental, pois a mesma acaba rotulada como: “o filho da família desestruturada”, “a criança da mãe barraqueira”, “o menino cujo pai está preso”, “a menina que a mãe abandonou e é criada pela avó”; assim, deixam de ser considerados enquanto sujeitos, para serem “frutos” de um “sistema disfuncional”, onde não há expectativas e esperanças; só insucesso e frustrações. Logo, permanecem ignoradas e excluídas, sendo verdadeiras “vítimas” das profecias autodeterminadas daqueles que poderiam ser instrumento de mudança em suas vidas.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista do Jornal ENTRE-RIOSe da Revista Minha Saúde.

Por Bruna Spada

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