A iMorolidade alcança o futebol

Terça, 30 de Julho de 2019.

A iMorolidade alcança o futebol

O mau exemplo, sabemos, vem de cima. E agora alcança o futebol. Depois que a mais alta autoridade constituída da justiça no país, o Ministro Sérgio Moro, atua em um caso ao mesmo tempo como investigador, acusador e legislador, fornece informações sobres investigações sigilosas, comunica as autoridades que detém seus diálogos e determina a destruição de provas, porque o juiz de Flamengo x Botafogo, Raphael Claus, seria imparcial em seus julgamentos?
Por uma entrada desleal, um carrinho perigoso, Aírton, do Fluminense, foi sumariamente expulso de campo contra o Goiás sem sequer receber o cartão amarelo. E, ontem, no Maracanã, Cuéllár deu uma entrada criminosa no Marcinho. Que partia em direção ao gol. O juiz estava em cima da jogada e preferiu acomodar as coisas. E ele recebeu apenas o cartão amarelo quando também deveria ser expulso direto.
No segundo tempo, Rafinha, que já tinha o cartão amarelo, dá um carrinho, erra a bola e acerta Luiz Fernando que partia em direção ao gol. E o juiz fingiu que não viu, nem o Queiróz nem a entrada desleal. E não o expulsou de campo. Segue o jogo!
Será que os resultados das eleições presidenciais seriam os mesmos se não fossem cometidas tais imorolidades? Será que o resultado de Flamengo x Botafogo seria o mesmo se Raphael Claus não se respaldasse com as arbitrariedades que emanam de cima e expulsasse os dois jogadores? Será que ele vai alegar que as imagens do VAR vieram dos Hackers? Ou seus auxiliares teriam acesso aos estúdios da Rede Globo e apagariam as imagens? Ou, quem sabe, deportaria, ameaçaria colocar em cana, o corajoso jornalista que espalhasse estas faltas desleais pelo principais jornais do mundo?
Imorolidade. O Aurélio precisa trocar o nome do que significava, no Brasil, imoralidades. Estas, pelo menos, eram passiveis de punição. Seria apenas uma outra medida provisória em um país que assiste calado candidatos e equipes serem garfados em urnas e gramados. E poucos reagem.
Mesmo porque o Flamengo, e a democracia, não precisam destes artifícios imorais para continuar a vencer no esporte e na política.

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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