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A Importância do Espírito na Vida do Ser Humano (parte 1)

Quarta, 08 de Abril de 2020.

 

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Para a Logosofia, o espírito assume o papel mais importante e fundamental no desenvolvimento das aptidões humanas, no funcionamento regular e firme das faculdades da inteligência, na proliferação de ideias e pensamentos de alto valor, no enriquecimento da consciência pelo constante aporte de conhecimentos de ordem transcendente, no fato de sobreviver quando cessa a vida do ente físico, por ser ele quem recolhe e perpetua o existir do ser humano sem perder sua individualidade em cada ciclo de manifestação corpórea.
Devemos esclarecer que esse papel tão importante e fundamental do espírito na vida do ser humano só se concretiza quando este lhe oferece as condições necessárias à manifestação e ao desenvolvimento de seu espírito, já que sua função está acima do ente físico ou alma, e as energias que dele emanam são as que lhe dão firmeza para conduzir sua vida de acordo com os altos fins de sua existência.
Ao cessar a vida física, o espírito recolhe e leva impressa na célula mental, hereditária, a síntese histórica que extrai da consciência do ser físico que integra, cujo valor depende das oportunidades que este lhe foi oferecendo para manifestar-se e governar a vida quanto a formas superiores de existência. Se as atuações anteriores concorreram para realizações elevadas, o espírito entrega, em cada nova etapa de existência, o que delas ficou, as reservas internas acumuladas, o que o homem mesmo foi capaz de fazer, e não mais.
A bagagem de saber e de experiência, alcançada no plano comum pela alma ao término de seus dias, é absorvida e conservada pelo espírito, e somente servirá, em ciclos sucessivos de existência, aos mesmos fins comuns para os quais a vida física se abasteceu com essa bagagem. Ao contrário, os conhecimentos e experiências em que o espírito intervém diretamente – aos quais se soma o relativo aporte hereditário – tomam volume e se consubstanciam com a existência imperecível do pensamento e da mente universais, sem que o ser perca sua individualidade, resguardada por sua adaptação a seu destino metafísico concretizado na evolução consciente. Eis aqui a diferença fundamental entre as duas situações apresentadas às possibilidades humanas.
O espírito é o inspirador, o acumulador de energia, sustentador e perpetuador da Existência e o agente de enlace entre o ser humano e seu Criador.
Naturalmente, ninguém deverá presumir que, ciente disso, já se acha em condições de estabelecer esse contato, que obedece à ordem transcendente. É lógico admitir que não se pode aspirar a semelhante benefício sem haver mobilizado antes a consciência, para que o radar mental funcione sem defeitos.
Condição indispensável para que o espírito possa cumprir tão alta incumbência é que as atuações da alma se tornem coincidentes com as exigências do espírito, disciplinando-se previamente no adestramento que conduz a esse fim. 


Extraído do livro O Espírito, pág. 67
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