A morte do Coronel Teixeira e a culpa da PM

Sábado, 28 de Outubro de 2017.

Foi com grande pesar que prestamos a última homenagem ao nosso companheiro de turma Coronel Luiz Gustavo Teixeira. Ele morreu na última quinta feira com um tiro no peito. Estava fardado e se deslocando em serviço de uma solenidade no Leblon para o quartel no Méier, o qual tinha imenso prazer em ser o Comandante. Isso todos já sabem pela mídia, mas de quem é a culpa?
A vida do Coronel Teixeira, sob o ponto de vista humano, vale o mesmo que a vida de qualquer outra pessoa. É óbvio. Para a grande maioria da sociedade foi mais um policial militar morto e ponto. Pra mim o Teixeirinha, “Tex ou Filé” tem um valor maior, porque era meu amigo. Um companheiro de turma. Foram três anos vivendo em regime de internato, compartilhando experiências pessoais e profissionais. Sob o ponto de vista sociológico, a morte do Coronel Teixeira, Comandante do Batalhão do Méier, Oficial Superior do último posto da PMERJ, trata-se de uma tragédia.
Um Comandante é o exemplo para a tropa. Sua função é estratégica. Sua postura e sua conduta devem ser inabaláveis. Seu preparo levou no mínimo 25 anos de muita luta. Sua juventude foi no combate nas ruas comandando pequenas frações de tropa como Tenente, supervisionando o policiamento, depois comandando companhias, exercitando a gestão dos parcos recursos que se disponibiliza para a preservação da ordem pública. Como Major assumindo funções de Estado Maior e chefiando as áreas de inteligência, pessoal, operações e logística. Qualificando-se em cursos de operações, de táticas e estratégias. Um Coronel da PM possui uma bagagem de vivências e conhecimentos que poucos militares e civis podem adquirir ao logo de suas carreiras.
A morte de um Coronel da PM é uma derrota sem precedentes para a sociedade. Simbolicamente significa dizer que a doença da violência está atingindo o cérebro da instituição que tem a missão de garantir a paz. Estamos ruindo. O Estado Democrático de Direito parece não fazer sentido diante de tantas iniqüidades.
Reitero milhares e milhares de vezes que a origem dessa violência está no abismo da desigualdade social do nosso País somado ao desenfreado consumo de drogas. Tudo isso coordenado por uma oligarquia inescrupulosa que se protege por de trás de montanhas de dinheiro sujo, de cargos com foro privilegiados e de togas pomposas que já não escondem mais o caráter degenerado de alguns magistrados. O topo do poder está podre!!!
O gatilho das armas que têm matado civis e policiais no Rio de Janeiro não é puxado sozinho. Aqueles que realizam negociações internacionais com os traficantes de armas, os que deixam de fiscalizar as nossas fronteiras, os nossos portos e aeroportos, aqueles que compram a maconha e cocaína que entorpece grande parte da sociedade e aqueles que se omiteM, que não fazem nada diante desse quadro, todas essas pessoas mataram o Coronel, todas essas pessoas mataram 112 policiais até o dia de hoje. Todas essas pessoas são responsáveis pela tomada de território pelas marionetes teleguiadas pela fome e pela ganância ilusória de que um dia poderiam “viver bem”.
Que as famílias dessas vítimas sejam consoladas pela fé. Que meu amigo Teixeira esteja em PAZ onde quer que seja, pois cumpriu o seu juramento e morreu lutando. Que a sociedade carioca se mobilize para mudar o que está acontecendo. Não temos mais tempo para o luto, pois são dois policiais mortos ou feridos diariamente. Só temos tempo para a luta e só!!!

E isso tudo meus amigos. Não é culpa da PM!!!

Por Ten.Coronel PM Márcio Guimarães

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