A origem dos festivais de música

Sábado, 13 de Abril de 2019.

Espaços abertos, grandes palcos, centenas de músicos se revezando em apresentações que poderiam durar dias, tocando para uma plateia de milhares. Ao ler isso, pode-se pensar que refiro-me à recente edição do Festival Lollapalooza, realizado em São Paulo. Muito antes, porém, deste festival, alternativo, já organizava-se eventos dedicados à música.
Os primeiros registros de festivais musicais nos remetem à Grécia Antiga. Para os gregos, a música era uma riqueza que deveria ser cultivada a fim de promover o bem estar social. O ensino musical era garantido aos cidadãos e, em diversas ocasiões, promoviam-se apresentações públicas e concursos entre os artistas.
Seguindo a linha cronológica, a manifestação musical coletiva digna de nota são os concursos de música na Baixa Idade Média. A partir do século XII surge, na Europa, a classe artística dos menestréis. Trata-se de músicos que também exerciam a função de poeta e escreviam canções seculares (não religiosas). Essas canções versavam sobre o amor, fatos históricos ou, até mesmo, críticas sociais irônicas. Tornou-se comum, nesta época, a reunião desses menestréis em vilas e cidades para apresentações públicas e competições.
Na Era Moderna surge o festival modelo que inspiraria muitos outros: o “Concert Spirituel”. O Festival teve início em Paris, no ano de 1725, e consistia em uma série de concertos promovidos no teatro do Palácio das Tulherias durante a quaresma. Segundo os preceitos católicos, durante esse período as atividades de entretenimento deveriam ser suspensas, o que significava o fechamento provisório dos teatros de ópera. Os programas das primeiras edições consistiam em obras sacras ou instrumentais virtuosísticas. Os concertos iniciavam às dezoito horas e estavam restritos aos aristocratas franceses. Nos anos seguintes, O Festival não mais se restringia ao teatro do Palácio das Tulherias, expandindo-se a outras salas de Paris. O repertório também seria ampliado, acolhendo obras vocais seculares e peças sinfônicas. Importantes compositores como F. J. Haydn (1732-1809) e W. A. Mozart (1756-1791) participaram do festival estreando importantes sinfonias. O Festival chegou ao fim no ano de 1790 em decorrência dos distúrbios sociais e políticos causados pela Revolução Francesa.
Outro festival de grande importância surge na Alemanha: o Festival de Ópera de Bayreuth. Idealizado pelo compositor Richard Wagner (1813-1883), o evento seria concebido como forma de exibir e divulgar as obras do próprio compositor. Para isso, Wagner construiu um teatro com aspectos técnicos específicos para atender à demanda de suas obras. A primeira ópera a inaugurar o festival foi “O Ouro do Reno”, no dia 13 de Agosto de 1876, em um evento que contou com a presença de nosso imperador D. Pedro II. Em atividade até os dias de hoje, o festival tornou-se objeto de desejo de dos amantes da música de Wagner que, às vezes, aguardam por anos para conseguir um bilhete, dada a grande procura.
O século XX foi pródigo em festivais de música. Além daqueles dedicados à música erudita, surgem festivais de jazz, rock, música alternativa, e MPB, que serviriam de vitrine para a exposição de diversos artistas em ascensão. Não se pode ignorar o Festival de Woodstock, não só pelo aspecto musical mas, também, pela sua relevância política e social. No Brasil, o destaque fica para o Festival Internacional da Canção (Rede Globo), e para o Festival de Música Popular Brasileira (Rede Record), na década de 60, responsáveis por alicerçar a carreira de grandes artistas, como Tom Jobim, Chico Buarque e Elis Regina.


Por Vinícius Pereira

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