«A paz como caminho de esperança:

diálogo, reconciliação e conversão ecológica» (IV)

Quarta, 29 de Janeiro de 2020.

  Dando continuidade, pela quarta semana consecutiva, à publicação da Mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz, do Papa Francisco,compartilhamos a sua quinta e última parte.
“Obtém-se tanto quanto se espera*
O caminho da reconciliação requer paciência e confiança. Não se obtém a paz, se não a esperamos.
Trata-se, antes de mais nada, de acreditar na possibilidade da paz, de crer que o outro tem a mesma necessidade de paz que nós. Nisto, pode-nos inspirar o amor de Deus por cada um de nós, amor libertador, ilimitado, gratuito, incansável.
O medo é, frequentemente, fonte de conflito. Por isso, é importante ir além dos nossos temores humanos, reconhecendo-nos filhos necessitados diante d’Aquele que nos ama e espera por nós, como o Pai do filho pródigo (cf. Lc 15, 11-24). A cultura do encontro entre irmãos e irmãs rompe com a cultura da ameaça. Torna cada encontro uma possibilidade e um dom do amor generoso de Deus. Faz-nos de guia para ultrapassarmos os limites dos nossos horizontes estreitos, procurando sempre viver a fraternidade universal, como filhos do único Pai celeste.
Para os discípulos de Cristo, este caminho é apoiado também pelo sacramento da Reconciliação, concedido pelo Senhor para a remissão dos pecados dos batizados. Este sacramento da Igreja, que renova as pessoas e as comunidades, convida a manter o olhar fixo em Jesus, que reconciliou «todas as coisas, pacificando pelo sangue da sua cruz, tanto as que estão na terra como as que estão no céu» (Col 1, 20); e pede para depor toda a violência nos pensamentos, nas palavras e nas obras quer para com o próximo quer para com a criação.
A graça de Deus Pai oferece-se como amor sem condições. Recebido o seu perdão, em Cristo, podemos colocar-nos a caminho para ir oferecê-lo aos homens e mulheres do nosso tempo. Dia após dia, o Espírito Santo sugere-nos atitudes e palavras para nos tornarmos artesãos de justiça e de paz.
Que o Deus da paz nos abençoe e venha em nossa ajuda.
Que Maria, Mãe do Príncipe da paz e Mãe de todos os povos da terra, nos acompanhe e apoie, passo a passo, no caminho da reconciliação.
E que toda a pessoa que vem a este mundo possa conhecer uma existência de paz e desenvolver plenamente a promessa de amor e vida que traz em si.
* Cf. São João da Cruz, Noite Escura, II, 21, 8.
Confiamos que a Mensagem de Paz do Papa Francisco, lida e refletida ao longo desse mês de janeiro, possa ter sido um encorajamento efetivo na superação da cultura da violência pela cultura da paz. Válida para todo o mundo, possa ser para o Brasil, nesse momento sócio-cultural e político-econômico que atravessamos, um estímulo ao engajamento cristão e de todos os homens e mulheres de boa vontade na urgente missão de Esperançar! E, para nós trirrienses, um apelo a enfrentarmos de forma qualitativamente diferente, eficaz e pacífica, a atual onda de violência urbana que atravessamos.

Medoro, irmão menor-padre pecado

Por Padre Medoro

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