A Rocha, o Tempo e o Tesouro

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Quinta, 03 de Outubro de 2019.

Numa época não distante, em que a humanidade se debatia oprimida por grandes agitações mentais, existiu um homem de fina clarividência que ensinava e predicava verdades até então ignoradas por toda a gente. Certo dia, ante a incredulidade de muitos dos quese aproximavam para conhecê-lo e escutar suas sábias exposições, que tanto cativavam os que sobre ele relatavam as mais variadas e misteriosas histórias, o bondoso e nobre senhor lhes disse:
– Observem essa imensa rocha que está ante seus olhos. Se eu lhes assegurasse que a uns cinquenta passos de sua extremidade posterior se oculta um tesouro incalculável, e os convidasse a pegar picaretas, cunhas e pás com a finalidade de perfurá-la, por acaso não tentariam fazê-lo, sabendo de antemão que o tesouro efetivamente está ali? Estou plenamente seguro de que ninguém esperaria novo convite. Entretanto, que aconteceria depois de algum tempo? Uns por cansaço, outros por impaciência, outros por decepção, e outros por mil razões diferentes, jogariam fora suas ferramentas e retomariam a busca de novos caminhos, ou sairiam ao encontro de novas ilusões, esquecendo esse episódio ou recordando-o, quiçá, com injustas prevenções. No entanto, desde o preciso instante em que se dá o primeiro golpe sobre a rocha, até a culminação do esforço que põe o tesouro a descoberto, me dei a um tempo que, calculado com folga, poderia representar, digamos, um período de três anos. Se ao cabo de uns golpes se abandona o trabalho, o tempo transcorrerá do mesmo modo, e o prazo estabelecido se cumprirá, porém com a diferença de que a rocha permanecerá intacta ou, no máximo, com algumas perfurações, guardando o tesouro em suas entranhas. Eis aí, pois, uma realidade indubitável. Muito bem; que é que se depreende de tudo o que acabo de lhes dizer? Simplesmente isto: conforme seja aproveitado o tempo, é possível calcular o benefício que dele se obtenha. Devem vocês saber que os prazos dos tempos se cumprem em função de uma lei inexorável.
Depois de outras reflexões, prosseguiu imperturbável aquele experiente conhecedor da alma humana:
– Vocês podem representar a ignorância como uma rocha granítica que, à semelhança do que ocorre com as rochas da Natureza, requer grande empenho, vontade e decisão para soltar suas partes mais duras. Em seu espírito, assim como em sua vida, o homem encerra profundos mistérios que é preciso descobrir; mas nada se consegue sem um esforço firme, sem um labor continuado e tenaz. Desaparecem os seres, uns depois dos outros, todos ricos em potencial e pobres de entendimento. Por tal causa, a rocha da ignorância continua ocultando obstinadamente os tesouros que se deixam pressagiar, e quetalvez estejam a uma escassa distância dos afãs e das possibilidades humanas.
E desse modo o sábio, que exortava a quantos o rodeavam a empunhar a picareta e iniciar a obra, concluiu seu eloquente relato, aludindo, com evidente ironia, aos que prodigalizam seu tempo e suas energias usando a ferramenta da tagarelice para desperdiçá-los externamente, em vez de cavar bem fundo dentro de si mesmos.
do livro Intermédio Logosófico, pág.103
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