A tragédia do MUSEU NACIONAL da Quinta da Boa Vista

Sexta, 07 de Setembro de 2018.

A tragédia do MUSEU NACIONAL da Quinta da Boa Vista

O incêndio que vitimou o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizado no parque da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão no Rio de Janeiro, é sintomático de como os governos neoliberais (de Collor, passando por FHC, governos do PT e fortemente aprofundado com GOLPE de 2016) impactam a vida de formas trágicas.

O tamanho da perda é incalculável. Os danos geracionais são irreparáveis, uma vez que gerações e gerações estarão proibidas de terem contato com obras das mais variadas naturezas. A perda do Museu Nacional precisa servir para reflexões e ações concretas acerca da vida política brasileira.

Há uma fartura de dados disponibilizados pela UFRJ mostrando a terrível diminuição de recursos- que nunca foram suficientes ao conjunto de necessidades da universidade para uma atuação a altura dos desafios postos. Campanhas midiáticas da grande imprensa nas primeiras horas já buscavam tirar o foco do ponto central: a tremenda insuficiência de recursos para a Universidade em geral- e particularmente para administrar seus equipamentos. Diversos incêndios ocorreram não apenas na UFRJ, mas em outros órgãos federais recentemente. Isso é reflexo da covarde e criminosa contenção de recursos públicos. Basta vermos o quanto os governos pagam em juros e serviços da dívida pública e quanto destinam as áreas sociais.

A mentira como arma de atuação política dos grandes grupos empresariais- tendo a grande mídia como sua porta voz- foi empreendida seguidamente ao atacar a UFRJ- e sua reitoria, atualmente ocupada pelo prof. Dr. Roberto Leher- como responsável pela tragédia do Museu Nacional. Pronunciamentos e postagens de ministros e jornalistas buscam covardemente criar um clima que não possibilite abordar o óbvio: mantidas as condições orçamentárias, as Universidades públicas em geral serão ainda mais precarizadas.

A nota oficial da Reitoria da UFRJ sobre seu orçamento é reveladora:

“A UFRJ alicerça sua preocupação com a difusão de informações imprecisas e incorretas sobre a questão orçamentária da Universidade, que estão retirando do foco central o Museu Nacional, a perda de acervo e o significado disso para a nação brasileira.

A Universidade sofreu significativa redução orçamentária nos últimos quatro anos. É falaciosa e extremamente absurda qualquer versão que insinue aumento de recursos, quando são visíveis os cortes na ciência e na educação, denunciados pela comunidade científica. O orçamento da UFRJ, desde 2014, foi distribuído da seguinte forma:

2014 – R$ 434 milhões;
2015 – R$ 457 milhões;
2016 – R$ 461 milhões;
2017 – R$ 421 milhões;
2018 – R$ 388 milhões.

Os valores acima são referentes ao orçamento definido pela Lei Orçamentária Anual e créditos suplementares (até 2017, pois a execução deste ano não foi fechada). Esses orçamentos contemplam as despesas com custeio (manutenção geral, obras de infraestrutura) e investimentos (compra de equipamentos, construção de novos prédios).

A folha de pagamento da UFRJ inclui servidores ativos e até servidores aposentados e inativos de outras décadas. Essa folha, que ultrapassa R$ 1 bilhão, é gerida diretamente pelo Tesouro Nacional e não há sentido em incluí-la nas avaliações sobre gestão anual do dia a dia da UFRJ, por parte da sua administração central. Em razão dos cortes, a UFRJ prevê que fechará este ano com déficit de R$ 160 milhões” (https://ufrj.br/noticia/2018/09/04/nota-sobre-orcamento-da-ufrj).

Que todos fiquemos atentos e saibamos defender o patrimônio do povo brasileiro que é a UFRJ. Saibamos rebater as mentiras covardes e deslavadas. Estamos de luto pela imensa perda. Mas estamos em luta para defender o que sobrou. A sanha privatista e privatizante começa a por as garras de fora. Falácias covardes que apenas ricos estudam nas universidades públicas são retomadas como forma de justificar sua privatização. Não permitiremos.




Por Marcelo Melo

Crédito da Foto: Globo

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