A transição muscular

Quarta, 31 de Julho de 2019.

A transição muscular

Tão criticados os nossos políticos, pelo menos algo de bom foi criado por eles nos últimos anos: o Governo de Transição. Independentemente do resultado das eleições, sejam mais do que adversários, inimigos ideológicos, entre a apuração, em outubro, e a posse, em janeiro, é criada, por força de lei, uma comissão com membros do atual e futuro governo. Em dois meses são trocadas informações importantes que evitarão surpresas e desnudarão números do caixa e índices de investimentos até então realizados. Ponto para eles.
Já no futebol, as condições de força e velocidade dos músculos do Rodrigo Caio, e de todos os jogadores contundidos no Flamengo, não foram repassadas pela comissão técnica do Abel Braga, que os preparou durante a pré-temporada, para os profissionais da educação física que assumiram ao lado de Jorge Jesus. Não houve uma preparação de transição que fornecesse gráficos de quanto eles haviam sido exigidos. Um saiu traído por uma porta, o outro entrou como Messias, o salvador, pela outra. Nem se falaram, quanto mais trocaram informações sobre as virilhas alheias.
Quando da reapresentação do elenco, é destinada uma carga mais forte de exercícios que serão atenuados com a sequência das competições. Dentro do planejamento, cada vez mais rigoroso e aprofundado com a participação de fisiatras, fisioterapeutas e nutricionistas, todo o calendário é estudado para que o atleta, que não é uma máquina, possa suportar estaduais, Copa do Brasil, Sul-americana, Libertadores e Brasileirão. Até os dias em que o time misto irá se apresentar, para poupar os titulares, é traçado.
Da noite para o dia, tudo é esquecido. E em plena Copa América, os jogadores, no lugar de uma reavaliação, são convidados a uma nova pré-temporada sem qualquer tipo de informações. E forçam musculaturas que já deveriam estar em manutenção. O resultado é um departamento médico carregado daqueles que deveriam estar em campo, como Rodrigo Caio, Vitinho, Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Diego no momento em que o Flamengo mais precisa deles.
Se os diretores de futebol do Flamengo tivessem jogado bola, passado o que nós passamos, pensariam duas vezes antes de trocar de treinadores em meio a temporada. Existem mais problemas a serem enfrentados do que dar satisfações à torcida e repassar as falhas de sua administração aos que saem, como Abel Braga, carregando toda a culpa de uma má gestão.
Em equipes como o Palmeiras, Santos, Grêmio, Atlético Mineiro e Cruzeiro, que não mexeram em sua estrutura, não há tantas lesões. Está mais do que na hora de parar com esta história de trocar de técnico por qualquer motivo. E se não for possível, que esteja no seu contrato a obrigatoriedade de realizar uma transição muscular para os que chegam.
Sob pena de um fraco Emelec se tornar uma incomoda meleca nos ambiciosos objetivos de toda uma nação.

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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