As Bachianas de Villa-Lobos

Sábado, 08 de Junho de 2019.

As Bachianas de Villa-Lobos

Fonte de uma energia inventiva excepcional que condensou a cultura musical de todo um continente durante a primeira metade do século XX, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) é considerado “a figura criativa mais significativa na música clássica brasileira”. Villa-Lobos é autor de cerca de mil obras dos mais variados gêneros: concertos, sinfonias, suítes, quartetos de cordas, obras para instrumento solo (destaque para o piano e o violão), obras corais, além de inúmeros arranjos. Um conjunto de obras do compositor que merece especial atenção, no entanto, são as “Bachianas Brasileiras”.
Compreende por Bachianas Brasileiras uma série de composições escritas entre 1932 e 1945 inspiradas na obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). A motivação para compor as obras do ciclo, de acordo com o próprio Villa-Lobos, foram as semelhanças que encontrou entre as músicas folclóricas do sertão brasileiro com as obras de Bach.
O contato de Villa-Lobos com a obra de Bach se deu ainda em sua infância. Foi com sua tia paterna – e primeira professora de piano – Maria Carolina Rangel (“Zezinha”), que o compositor se familiarizou com as peças de Bach.
Villa-Lobos, já adulto, empreendeu viagens pelo interior brasileiro, localizando, nos sertões, músicas que, em alguns aspectos, tinham afinidades com a obra de Bach.
As Bachianas Brasileiras compõem um conjunto de nove obras, cada qual com uma orquestração própria e número de movimentos distintos. Uma característica notável nas obras é que cada parte (movimento) recebe dupla denominação: uma “tradicional”, típica da música de concerto; e outra que remete às características da música popular.
As Bachianas mais famosas são a de Nº 2, que possui o célebre “O Trenzinho do Caipira” (também conhecido como “Toccata”, 4º movimento); Nº 4, com os movimentos “O Canto do Sertão” e “Dança/Miudinho” (2º e 4º movimentos respectivamente); e Nº 5, com a “Cantilena” (1º movimento). Deve-se observar que, no ano de 1975, o poeta e escritor Ferreira Gullar compôs uma letra para ser cantada juntamente com a melodia de “O Trenzinho do Caipira”.
Não foram só as “Bachianas Brasileiras” as obras de Villa-Lobos inspiradas em Bach. Seus Estudos e Prelúdios para violão encontram ecos na obra “O Cravo Bem Temperado”. Além disso, Villa-Lobos realizou diversos arranjos de muitas obras de Bach.

Por Vinícius Pereira

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