As dores de todos nós

Quinta, 24 de Janeiro de 2019.

As dores de todos nós

Nosso espaço não poderia se calar diante do tamanho desta dor. Aconteceu com vocês, Carlos, poderia ter acontecido comigo. Com qualquer um. Mas as dores profundas de vocês precisam ser compartilhadas. Porque são as nossas dores. As dores sentidas por todo mundo.
Não tenho a versão original do ocorrido, muito menos as desejo. O fim já nos basta, nos entristece por todas as versões e capítulos. E cada trirriense que encontrava pelas esquinas gostaria de lhes mandar um afago, um abraço, sentimentos, seus sinceros pêsames, um carinho, mesmo os que não lhe conheciam. Até aqueles que jamais ouviram falar de um secretário de obras tão novo. E tão capaz.
Vivemos numa sociedade competitiva que nos obriga a jogar momentos preciosos na loteria. E, na maioria das vezes, saímos derrotados. Quantas vezes ocupamos uma vaga de idosos, outras até a reservada aos deficientes, porque a conta de luz vence amanhã e ainda precisamos passar depois no Saaetri e pagar a de água? Com esse calor, já pensou ela cortada? Depois tem a sessão de Pilates agendada, que o médico indicou para harmonizar a coluna, o dentista, será que vai dar tempo de chegar para consulta? Em meio a tudo, a torcida, no cantinho das obrigações apenas acesas pelo sinal fechado, para que a esposa tenha tido tempo de passar no Colégio N. Sra. de Fátima e matricular nossa menina.
O IPVA vence, o IPTU se aproxima, o aluguel bate a nossa porta e será que vou conseguir uma daquelas vagas na Drogaria Pacheco para levar meu Omeprazol? Fora o Ian Pinho, como perder meu treinamento funcional das 18h que tanto bem tem feito a minha saúde? Quanto ao Bramil, melhor passar no fim do dia para levar meu vinho, as bananas para a vitamina. E de repente....
Lembramos, mesmo que tardiamente, que um dia tem apenas 24 horas. Num lapso qualquer, buscando tantas coisas prementes, deixamos escapar entre os dedos momentos e pessoas preciosas. Daí passa o carro de som anunciando uma partida, sobe a família enlutada e quem disse que há espaço na agenda egoísta para ir até lá se despedir de um grande amigo? Perdendo a noção do amor, da solidariedade, vamos perdendo o sentido, o real valor da nossa própria existência.
Não existem culpados no ocorrido. Aconteceu em Araçatuba, em Volta Redonda, pode acontecer, infelizmente, por aqui. Somos todos vítimas de nós mesmos. Da maluquice concorrida que se tornou o nosso dia a dia. Melhor desacelerar o prazer de vencer, repensar o fazer por si mesmo, adiar o sofrer pelos que, de verdade, merecem o nosso amor. Força, Sandro e toda a sua família. E contem, amigos, com uma cidade que chora, sofre e está orando unida neste instante por todos vocês.

Por José Roberto Lopes Padilha

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