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As Olimpíadas da Vida

Terça, 24 de Março de 2020.

  As Olimpíadas da Vida Sabemos que foi em Olímpia, na Grécia, em meados de 776 a.C., que tudo começou. As guerras eram interrompidas para que todas as cidades disputassem quem possuía o cidadão mais forte, veloz e resistente. Uma ideia tão boa dessas, que elevava a bandeira branca e cessava o derramamento de sangue, como a Democracia, a Filosofia e os discursos de Platão, tinha que dar certo. E perdurar para sempre.
E de quatro em quatro anos o mundo parava suas brigas para assistir quem se aproximava, em número de medalhas, de uma potência econômica que nunca subestimou o esporte. Como qualidade de vida e sinônimo de ascendência enquanto nação. Os Estados Unidos, sempre imbatíveis, davam a receita, que é sua introdução nas escolas, bolsas de estudo nas faculdades, para os que se destacavam em suas modalidades esportivas. Porém, o resto do mundo, como o Brasil, continuaram tratando o esporte como um subproduto. E se dirigiam até lá buscar a pouca quantidade de ouro, prata e bronze que mereciam.
Vocês sabem que é o Ministro do Esporte? Nem eu. O atleta olímpico que representa sua cidade? Não tem.
Mas dessa vez temos chances de, pela primeira vez, liderar o quadro de medalhas. Porque a do Japão acaba de ser suspensa e quem vai organizar as Olimpíadas não será mais o COI e, sim, a Organização Mundial de Saúde. E o quadro de medalhas estará invertido: o país que alcançar menos casos de coronavírus, será declarado o vencedor. Dará um exemplo ao mundo de como preparar não atletas para vencer. Mas como muitos cidadãos poderão sobreviver às suas piores pandemias.
Agora não temos desculpas. Não depende de políticas públicas para um maior investimentos no esporte, muito menos o esforço individual de cada Robert Scheidt, um Diego Hipólito, um heroico remador baiano daqueles para sacrificar suas vidas para nos dar alguns momentos de alegria. Agora depende de nós.
Temos chances. Hoje, batemos 1.891 e estamos à frente dos grandes papões olímpicos, como os EUA (31 mil casos confirmados), China, que parou nos 80 mil, e da Alemanha, que acaba de encostar no líder, alcançando 30 mil habitantes testados positivos. E o que é melhor, estamos cada vez melhor preparados para não avançar no total. E vencer o coronavírus.
Muito orgulho ser testemunha desta preparação, uma verdadeira concentração nacional, treinamentos em tempo integral: na padaria perto de casa, funcionárias de máscara e o Sandro, no caixa, usando luvas. Ruas vazias, lojas fechadas e apenas mercados e farmácias de plantão. Álcool Gel mais procurado do que a Brahma, e Telecine batendo recordes de audiência com os idosos assistindo felizes, dando a volta por cima em Cocoon. E está vindo a vacinação por aí.
Pela primeira vez, uma população se coloca à frente das diretrizes confusas do Comitê Olímpico da sua República. Cansou de esperar investimentos nos hospitais, decência para seus presidiários, empregos para seus filhos e respeito para com seus pais que precisam aposentar. E vai, ela mesmo, alcançar o mais alto lugar no pódio, proporcionalmente ao número de seus habitantes, por livre e espontânea vontade.
Cansou de procurar saber se os aeroportos estão ou não fechados, se faltam insumos ou se seu presidente assina ou cancela o decreto que lhes concede quatro meses de desamparo.
Uma população eternamente colonizada que resolveu, por ela mesma, alcançar finalmente o status de primeiro mundo nas olimpíadas da vida.
Parabéns para todos nós, brasileiros.

Por José Roberto Lopes Padilha

Crédito da Foto: Reprodução

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