As transformações sociais e a família

Quinta, 12 de Julho de 2018.

Pode-se entender que o ser humano, bem como a sociedade, estão em constante mudança. A vida é um eterno movimento de desconstrução e reconstrução, que apontam para novas formas de pensar, ver, sentir, se relacionar e habitar o mundo.
Na atualidade, asprincipais características sociais, são: o pensamento capitalista, o individualismo e a disputa tecnológica, que acabam por influenciar o comportamento individual e coletivo, proporcionando novas configurações de relacionamento, exercício de papéis e funcionamento familiar.
Sobre os papéis sociais exercidos por homens e mulheres ao longo dos tempos, notam-se consideráveis transformações. Com a mulher inserida no mercado de trabalho, principalmente a partir da Revolução Industrial, a taxa de natalidade tornou-se decrescente.Homens e mulheres passaram a buscarqualificação profissional visando melhor colocação e reconhecimento salarial. O homem foi obrigado a rever seu papel de provedor, visto que a mulher expandiu suas fronteiras para fora do lar em busca do seu próprio sustento. Esse novo cenário social contribuiu para quenovas configurações e arranjos familiares fossem estabelecidos. A família tradicional deixou de ser predominante, aumentando o número de famílias monoparentais ou relações familiares onde avós, tios e outros parentes assumem o papel de cuidadores.
O tempo dispensado à família e aos filhos acabou sendo reduzido, pois outros interesses estão presentes, como: a busca por sucesso no trabalho, acúmulo de capital e profissionalização. Nesse contexto, a educação dos filhos geralmente é delegada a outras instituições como creches e escolas de tempo integral.
Os pais são as principais referências de seus filhos e a família o ambiente “seguro” onde a criança pode arriscar e errar. É na família que a criança passa a ter contato com regras e limites.Ainda que na escola a criança venha socializar-se e adquirir conhecimentos,é no contexto familiar que experimentará o amor, o acolhimento e também a frustração, para então estar apta ao confronto social. É no núcleo familiar que a criança desenvolve o seu EU e constrói sua autoestima.
Pais que trabalham fora, não necessariamente são negligentes em relação ao cuidado e educação dos filhos, apenas precisam administrar o tempo destinado à família, de modo que os filhos também sejam prioridades em suas vidas.
É inegável que a cultura e as transformações sociais interferem nos grupos, nas instituições e no comportamento humano.É preciso entender e considerar as características da sociedade atual, percebendo de forma crítica, como tais modelos estão configurando nossas relações, para que venhamos atuar no mundo de forma funcional, exercendo os variados papéis sociais de forma equilibrada e saudável.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista do Jornal Entre Rios e da Revista Minha Saúde.

Por Bruna Spada

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