Assassinato político e covarde da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e o fascismo reinante

Sexta, 16 de Março de 2018.


Na noite de quarta feira, dia 14 de março, mais precisamente às 21h30 a VEREADORA Marielle Franco do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-RJ) foi assassinada no bairro do Estácio com quatro tiros na cabeça, sendo que foram disparados ao menos nove tiros.

Também foi assassinado seu motorista Anderson Pedro Gomes. Nada foi levado de seu carro. Tratou-se de uma EXECUÇÃO. Nunca em um assalto ladrão dá nove tiros. Ladrão dá dois ou três tiros e sai correndo da cena. Nove tiros são para garantir que não haverá sobrevivente.

Marielle Franco foi a quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro em 2016- sua primeira eleição- com 46.502 votos e era presidente da Comissão da Mulher da Câmara do Rio de Janeiro. Além disso, atuava em diversas frentes parlamentares.

Marielle Franco foi uma mulher negra, nascida e criada na favela da Maré, mãe aos 19 anos. Suas bandeiras iniciais eram os direitos das mulheres e\ou moradores de favelas, assim como ela o foi por longo tempo. Socióloga formada pela PUC, era mestre em Administração Pública pela UFF (dissertação de mestrado intitulada “UPPs: a redução das favelas a três letras”).
Esse assassinato ocorreu a menos de 1 km da sede administrativa da Prefeitura do Rio, menos de 2 km da sede do Batalhão de Choque (colado no Sambódromo), menos de 1 km do Hospital da Polícia Militar do Rio de Janeiro, menos de 2km do Batalhão de Polícia de Grandes eventos.

Marielle franco estava vindo de um evento na Lapa chamado "Jovens Negras Movendo as Estruturas", na Rua dos Inválidos. Menos de 4 Km de onde foi assassinada. Vejamos: estava num evento cujo objetivo é debater particularidades que sofrem as mulheres negras. Assim como Marielle.

Certamente seus assassinos a seguiram no trajeto. Trata-se de uma região com muitas câmeras de segurança de diversos prédios públicos e particulares, além das câmeras da Prefeitura. É possível recuperar todo percurso realizado pelos assassinos até muitas horas antes do assassinato. Câmeras faciais devem ter pego focalizado seus rostos. Caso tenham ficado esperando, certamente entraram em algum estabelecimento. A Polícia Federal ofereceu ajuda à Polícia Estadual para investigação.

Marielle Franco denunciou ao longo dessa semana a atuação violenta de policiais do 41º batalhão de Polícia em ação em Acari. No sábado, dia 10 de março, Marielle franco escreveu em uma rede social a seguinte mensagem:

Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior.

Os fascistas estão entre nós há tempos. Agora botaram as garras de fora. Se mataram a quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro é um sinal que estão sentindo-se muito confiantes. É tempo de todos gritarem: FASCISTAS, NÃO PASSARÃO! Essa briga é de todos. Terminamos com o alerta de Bertold Brecht sobre o perigo fascista “Nunca devemos clamar vitória sobre o cão bastardo, pois a cadela que o pariu entrou no cio novamente”!

Camarada MARIELLE FRANCO, PRESENTE. HOJE E SEMPRE.


Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ.

Por Marcelo Melo

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