Assim nasceu uma máquina

Sexta, 23 de Agosto de 2019.

Assim nasceu uma máquina

Daniel Alves tem feito o mesmo com o elenco do São Paulo, onde Pato, acreditem, virou Faisão. E todos passaram a jogar no seu limite para provar que merecem estar ao seu lado. Desse jeito, o nosso Fluminense se tornou uma máquina. Desse jeito, com um maquinista deste quilate, com a camisa tricolor e o número 10 às costas, o São Paulo começa a andar nos trilhos. E sonhar o sonho sonhado de se tornar um time inesquecível. Como foi o nosso.
Falta o Nelson Rodrigues, que escrevia, João Saldanha, que comentava, Armando Nogueira, que imortalizava. Mas aí seria covardia. Querer no comando um outro Francisco Horta.
Aconteceu com a gente, em 1975, está acontecendo com o São Paulo, nos dias de hoje. De repente, um elenco promissor, que passaria outra temperada sem brilho, cumprindo tabela e se equilibrando entre o Z4 e G4, recebe um ser de luz. E muda a história de todo mundo. O nosso, chamava Roberto Rivelino. O do São Paulo, invicto desde que desembarcou, chama Daniel Alves.
Pergunte a um ator teatral qual o seu desempenho quando entra em cena e encontra a casa cheia. E quanto sua atuação desaba quando a encontra vazia. Para nós, jogadores do Fluminense FC, desde o primeiro coletivo realizado no CEFAN, ficou claro que teríamos que buscar o nosso melhor para estar à altura do protagonista que chegava. À altura daquele monte de gente que começava a se espremer nas arquibancadas.
Nem eu ou Abel Baga, Rubens Galaxe, Cléber, Carlos Alberto Pintinho, Herivelto, Edinho e Nielsen imaginávamos que poderíamos ir tão longe. Melhorar o nosso desempenho seguindo o rabo de um cometa. E as peças foram sendo lapidadas, personalidades insufladas, autoestima elevadas para nos colocarmos à altura dos novos desafios: saía o Hotel das Paineiras, inaugurávamos o Hotel Nacional. Voos rasteiros, em direção a uma gloriosa excursão pelo sul do país, foram trocados pelo Jumbo da Air France rumo ao Torneio de Paris. Tudo veio muito rápido. Os títulos. Uma performance que deu cria. E entrou para a história...

Por José Roberto Lopes Padilha

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