Autofinanciamento premiará corruptos

Sábado, 21 de Outubro de 2017.

Para quem não sabe ou nem mesmo se interessou em saber, há que se destacar que o autofinanciamento eleitoral, recém-aprovado no nosso “douto” Congresso Nacional, conseguiu o que a grande maioria queria, ou seja, permitiu ao candidato usar recursos ilimitados -pasmem- inclusive frutos de corrupção, com um simples cheque pessoal para a própria campanha. Vejam caros leitores, a exigência de aval dos próprios para ser afastado, recém- decidida no STF, blindou o mandato parlamentar, tendo como exemplo o caso de Aécio Neves. As duas coisas combinadas, sem dúvida alguma, formam um potentíssimo escudo protetor para os políticos, beneficiando os mais inescrupulosos.

Jamais se pensou que neste momento, o avanço das investigações sobre os que são considerados poderosos da República esteja provocando efeito contrário do desejado pela força-tarefa e, acima de tudo, pela opinião pública. Observem que, em vez de detonar a impunidade no país, o que ocorreu foi um desencadeamento em reação um aumento das barreiras de proteção da classe política. Porém há também que se admitir, nada disso ser irreversível, já que os eleitores, se quiserem podem detonar tudo isso nas urnas.

Voltando um pouco sobre o autofinanciamento é necessário que se saiba que, com tal proteção o político vai poder tentar fazer muita grana durante o exercício do mandato e, em seguida, se autofinanciar na sua campanha de reeleição. Não são poucos os que se valerão disso sem o menor receio, tendo em vista que o escudo da impunidade só existe para os que estão investidos de mandato. Assim, sendo, o político safado com a maior cara-de-pau vai desfilar na campanha de 2018 com seu discurso enferrujado, jurando de mãos postas que tudo fará para bem representá-lo.

Estão na alça-se- mira dos eleitores os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça(CCJ) que votaram favoráveis ao parecer do deputado Bonifácio de Andradas (PSDB-MG que pede o arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretário-Geral da Presidência. Agora vamos aguardar a votação da segunda denúncia no plenário na próxima quarta-feira,25.
Vou ficando por aqui.

Por Carlos Letra

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