Bebendo no mesmo riacho

Quinta, 21 de Dezembro de 2017.



O sistema político, de um modo geral, está apodrecido. São fortes os gritos que clamam pela renovação de seus quadros nas próximas eleições 2018. Tal renovação não diz respeito tão somente a mudança de presidente da República, mas da maior parte dos integrantes das casas legislativas. Observem, caros leitores, que na hora de aprovar as matérias, a grande maioria dos parlamentares deixa de lado o conteúdo, mesmo sabendo ser nocivo aos trabalhadores e aposentados, já que o foco na contrapartida é que fala mais alto e, assim, a maioria dos parlamentares é puxada para beber no mesmo riacho. É preciso aprimorar mais um pouco a ideia da chamada politização. Aí, estou me referindo aos eleitores menos avisados, que se deixam enganar pelo canto da sereia, faz tempo.
É importante observar que a característica fundamental da atual política econômica é seu empobrecimento em relação aos objetivos a serem alcançados. Sabemos que o Brasil tem inúmeros problemas econômicos e socioambientais que necessitam ser solucionados, mas com seriedade e não com promessas para pavimentar uma estrada de acesso ao pleito eleitoral que se avizinha. É fácil dizer que a máquina administrativa terá a velocidade de expelir todos os problemas existentes da economia se aprovadas as mudanças da Previdência Social. Não tem como tentar tapar o sol com a peneira que o viés antissocial global vem ganhando os tons por demais dramáticos no Brasil, cuja desigualdade já mostra com clareza ser uma tendência história, melhor dizendo, o que era uma mania nacional agora é moda mundial.
Pesquisas do IBGE, realizadas nos últimos dias, assustaram empresários e o próprio governo, ao citar a apuração de que 52 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, classificado em um estudo do renomado francês Thomas Piketty como sendo o país mais desigual do mundo. Pode até alguém não admitir, mas foi um balde de gelo no otimismo econômico. Claro que era visível o aumento da pobreza, mas não ao patamar de ter atingido um quarto da população. Quer queira ou não, isto trava o desenvolvimento, tendo em vista o mercado depender do consumo para se fortalecer, prosperar Não se pode esquecer da precarização do trabalho uma tendência bastante visível no ensino, ou seja, antes, escolas terceirizavam apenas limpeza e segurança, agora, chega a vez do professor intermitente
O Movimento do Partido Democrático Brasileiro, (PMDB)que era o nome antes de 1980, quando ainda durante a ditadura militar foi adotado o pluripartidarismo, agora resgatou, em votação na Convenção, a antiga sigla MDB. A estratégia dos peemedebistas é diminuir o desgaste do PMDB e da política partidária junto à sociedade, já que vários integrantes da cúpula do partido, entre eles o presidente, senador Romero Jucá, são alvos de investigações em escândalo de corrupção.
Vale dizer que, em nada adiantará mudar o nome e até algumas moscas, se a “M” continua a mesma.
Vou ficando por aqui

Por Carlos Letra

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