Beethoven e sua “Amada Imortal”

Viena, 26 de Março de 1827,

Sábado, 19 de Janeiro de 2019.

Beethoven e sua “Amada Imortal”

Em uma noite de tempestade, relâmpagos e trovões sucumbia Ludwig van Beethoven, um dos maiores compositores que a humanidade conheceu. Ao longo de sua tumultuada existência, entre alegrias e tristezas, experimentou uma vida afetiva incerta. Não se sabe a quem amou e se foi ou não correspondido, sendo um dos maiores mistérios da biografia de Beethoven a identidade de sua “Amada Imortal”!
Após a morte do compositor, familiares e amigos fizeram varreduras em seus aposentos a fim de recolher seus pertences e proceder seu inventário. Em uma dessas buscas foi encontrada uma carta de conteúdo romântico onde Beethoven declarava seu amor e sua dependência afetiva a uma suposta amante, denominada, apenas, de “Amada Imortal”.
Terminado o inventário, a carta foi entregue ao amigo e colaborador de Beethoven, Anton Schindler, que trabalhava na compilação do acervo póstumo do músico. A misteriosa carta, possuía, apenas, o dia e o mês em que fora escrita, estando ausentes o ano, o local e o nome da destinatária. Em 1840, Schindler publicou uma biografia de Beethoven em que apresenta a existência da carta e propõe algumas respostas aos seus mistérios. A partir dessa publicação, a correspondência se tornaria tema de debate entre vários biógrafos e estudiosos.
O documento foi mantido por Schindler até sua morte, em 1864, quando fora herdado por sua irmã que, em 1880, a venderia para o acervo da Biblioteca Estatal de Berlim, onde permanece até hoje.
A carta foi escrita a lápis, em dez páginas, Apesar de escassas referências em, em 1950, através de análise da marca d’água do papel, foi possível determinar o ano, e, por extensão, o local onde a carta fora escrita: 6 e 7 de Julho de 1812, quando Beethoven esteve em um spa, na cidade de Teplitz, na antiga Boêmia (atual República Tcheca), para tratar da saúde. O fato de a carta não trazer marcas como selos ou carimbos postais e ter sido encontrada entre os pertences de Beethoven sugerem a muitos que ela nunca foi enviada, mas ainda é possível que se trate de um rascunho ou uma cópia que Beethoven manteve consigo. O texto da carta foi escrito livremente, reproduzindo a sequência de assuntos típicas da oralidade, pontuações pobres, resumindo-se, apenas, a travessões que separam o fôlego das ideias. Quanto à identidade da “Amada Imortal”, apesar de existirem inúmeras especulações a respeito, e, até hoje, não se sabe ao certo quem seria.

Por Vinícius Pereira

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