Bernardo

Sábado, 05 de Janeiro de 2019.

Bernardo

Bem mais fácil seria, meu amigo, confesso, lhe dedicar um texto se você estivesse ao nosso lado. Subisse comigo os palanques petistas e pedisse, primeiro, por Lula Livre!, e votasse em Fernando Haddad., Em ambos os turnos. Mas você tomou o caminho à direita e foi apoiar Jair Bolsonaro. Porque as marcas, profundas e recentes dos embates feriram amizades, desfalcaram brindes e deixaram lacunas impensáveis nas ceias das mais tradicionais das famílias. Daí, era para ficarmos algum tempo afastados, “de mal”, como convém aqueles que entraram nestas eleições, como nós o fizemos, acelerando pelas extremidades da política.
Porém, você acabou sendo convidado a participar do novo governo. E se meu partido decidiu boicotar a posse presidencial, que ele me perdoe, eu jamais poderia virar às costas para a sua posse no Ministério da Educação. Porque antes de ser petista, sou trirriense. E como nossa cidade anda orgulhosa por você ter alcançado um cargo desta magnitude. Não dou um passo pelas ruas sem tropeçar neste natural e perdoável ufanismo.
A educação e o esporte sempre foram ingredientes fundamentais na formação de um cidadão. E você, filho do Marimba, considerado por muitos o mais completo atleta de sua geração, e da Inúbia, professora e diretora do Instituto de Educação, vem representar o símbolo maior dessa associação. Agora, quando um trirriense vir ao mundo, seus pais vão dizer: pratique esporte, estude meu filho, quando crescer você poderá ser nosso embaixador em Brasília.
Quando você ainda era professor de História, do Colégio Santo Antonio, um dos mais conceituados de nossa cidade, que abriga em suas salas três dos meus quatro netos, deixei um currículo após minha Pós Graduação em História do Brasil, Política e Sociedade, curso este realizado na Universidade Católica de Petrópolis. Quando você deixou o colégio, achei quer iriam me conceder uma oportunidade, afinal, todos eram católicos. Mas acabei ouvindo nos corredores do colégio as respostas que, oficialmente, nunca chegaram a mim: “Um vermelho aqui dentro? Nem pensar?”
Uma pena que poucos estudaram a história do nosso país. Entendê-la feita da coragem de Zumbi, da sensibilidade natural e avermelhada de Caramuru, a cútis alva da Princesa Isabel até alcançarmos o auge de todas as matizes com a mulata Globeleza. Cuja nova versão, preparem-se, vem por aí. A nossa mistura de tudo é que tem encantado o mundo, representado uma esperança, saturado que anda de perseguições, preconceitos e racismos.
Sendo assim, pelo esporte, minha praia, e pela educação, sua meta, só nos resta dar exemplos. É o que procuro fazer neste momento, um ato de justiça a um conterrâneo realizado acima de qualquer ideologia, mas carregada de orgulho por uma cidade que acaba de completar apenas 80 anos de idade e já empossa um embaixador em Brasília. Parabéns! E boa sorte.

Por José Roberto Lopes Padilha

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