Bethoven, Napoleão e a Terceira Sinfonia

Sábado, 07 de Setembro de 2019.

Bethoven, Napoleão e a Terceira Sinfonia

Uma das personalidades mais destacadas no universo musical, Ludwig van Beethoven (1770-1827), foi um compositor revolucionário. De espírito irrequieto, rejeitava os modelos tradicionais e defendia, fervorosamente, a liberdade. Na juventude, demonstrou simpatia pela Revolução Francesa; na maturidade, assumiu posição moderada sem, contudo, abandonar suas convicções democratas. Como consequência de suas crenças políticas, nasceria, então, certa admiração por Napoleão Bonaparte (1769-1821).

No ano de 1799, a França passava por momentos tensos após o governo dos radicais revolucionários (jacobinos). Entraria em cena, então, o jovem general Napoleão, que restauraria o equilíbrio político e social daquele país.

Em abril de 1802, Beethoven esboça as primeiras notas daquela que seria sua terceira sinfonia.
Enquanto trabalhava nesta nova peça, o compositor pensou em dedicá-la a Napoleão, a quem considerava como um grande governante. Assim que a partitura fora terminada, no início do ano de 1804, Beethoven escreveu a dedicatória na folha de rosto: “Sinfonia Intitulada Bonaparte”.

Beethoven estaria, contudo, prestes a se decepcionar. Enquanto finalizava partitura, dando
alguns retoques na música, recebeu a notícia que Napoleão teria se autoproclamado Imperador da França. O compositor ficou furioso. Pegou a pena e rasurou a dedicatória com tamanha força a ponto de rasgar parte do papel. Beethoven acusaria Napoleão de sacrificar os princípios republicanos em nome de ambições pessoais. Quando a sinfonia foi publicada pela primeira vez, trazia o título: “Sinfonia Heroica: composta para celebrar a memória de um grande homem”. Tratava-se de uma sinfonia revolucionaria, ao ponto de que, em sua primeira audição publica, ter causado admiração e incompreensão na plateia.

A decepção de Beethoven por Napoleão em 1804 não abalou por completo sua admiração pelo governante francês. Foi apenas em 1809, quando Napoleão tomou a Áustria que o entusiasmo do compositor encerrou-se por completo. O bombardeio da cidade de Viena por tropas francesas e o medo em se comprometer política e profissionalmente obrigou Beethoven a posicionar-se publicamente contra Napoleão. Não haveria volta. Na medida em que o tirano subjugava o continente europeu, tornava-se difícil para Beethoven manter qualquer admiração por este.

Por Vinícius Pereira

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