Caminho da indignidade

Quinta, 23 de Novembro de 2017.



A cada dia que passa vamos assistindo a deformação da Constituição Federal. O episódio recente com a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de mandar soltar três deputados presos pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa, recebendo propinas das empreiteiras Andrade Gutierrez e Odebrecht e das empresas concessionárias de transporte Urbano, mais que reforça e demonstra a desconfiança da sociedade no Poder Judiciário, realçando mais do que nunca a deformação da Constituição Federal como instrumento republicano, através do qual todos os cidadãos deveriam ser nivelados, não só nas suas obrigações, como igualmente nos seus direitos.
Fica consumado que, de maneira flagrante escandalosa, foi escancarada em definitivo a porta da impunidade para membros do Poder Legislativo. A julgar pelo que aconteceu, eles estão protegidos pela necessidade de serem flagrados no cometimento de qualquer crimes inafiançável Assim sendo, de nada mais valerá serem flagrados e filmados e, tenham malas de dinheiro que à eles foram entregues e a seus representantes. Fica claro que, não se considera flagrante que três deputados estaduais tenham juntos, em suas contas bancárias$ 270,6 milhões como resultado de ganhos que nenhum deles, sequer pode explicar. Vejam, caros leitores, não servem as delações de que entregou a propina, marcada com a digital dos acusados. Nem a apreensão de incalculáveis fortunas bloqueadas em suas contas bancárias
Um dos deputados acumpliciados com os três colegas presos, André Corrêa(DEM)na maior cara e pau disse que “não podemos nos vergar e deixar de cumprir o que a Constituição determina”. “Quero dormir com a consciência tranquila” afirmou, acrescentando que dissera às filhas adolescentes que elas não terão motivo para se envergonhar do pai”
Enquanto a corrupção vai se vulgarizando no país, levando o dinheiro que seria para custeio da saúde, condena a morte milhares de cidadãos de todas as idades, que dependem dos hospitais públicos como sua única opção. A mesma rota, segue a educação, que, insuficiente, segrega e marginaliza os que não podem custear o ensino particular como meio de promoção social e, como destino, lhes reserva o conluio com o tráfico e a violência de toda espécie.
Não tenham dúvidas, caros leitores, de que, essa impunidade, que beneficia deputados, senadores e outros espertalhões insensíveis aos problemas sérios, danosos aos mais carentes, com toda certeza terão o troco nas urnas



Por Carlos Letra

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