Carnaval: A Ópera do Povo

Sábado, 02 de Março de 2019.

Carnaval: A Ópera do Povo

Tido como o “maior espetáculo da Terra”, o Carnaval, provavelmente, está entre os festejos mais antigos de nossa civilização. Desde a Roma Antiga comemorava-se o fim do inverno europeu com músicas, danças, caracterizações e licenciosidades.
Na ocasião em que o Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano, a nova filosofia entrou em choque com a antiga tradição pagã em celebrar o equinócio da primavera. Muitas foram as tentativas do clero para suprimir tal celebração. Gradualmente, a autoridade eclesiástica percebeu que o resultado desejado não poderia ser alcançado através da proibição, o que resultou na cristianização da festividade. Assim, a celebração passou a fazer parte do calendário litúrgico católico.
A origem do termo “Carnaval” provém do latim “carne vale”, que significa “adeus à carne”, marcando as vésperas do início da Quaresma, período de jejum dos cristãos. Outra designação pouco conhecida dos festejos é “Entrudo”. Termo de origem lusitana, também com raiz na palavra latina “introitus”, ou seja, a “entrada” do período quaresmal. Foi desta maneira que designaram as primeiras festas carnavalescas em nosso país.
O costume de celebrar o “Entrudo” no Brasil começou à partir da ocupação ostensiva do território brasileiro pela coroa portuguesa em fins do século XVI, entretanto, foi no início dos anos 1780 que a festa se popularizou em todas as camadas sociais. Celebrar o Entrudo significava promover uma série de jogos e brincadeiras entre as pessoas; o tipo de brincadeira, contudo, variava de acordo com a origem social do grupo social. Em certos graus a “brincadeira” atingia certo grau de grosseria, com alcoolismo generalizado, onde as pessoas lançavam-se, entre si, restos de comida e urina. A partir da segunda metade do século XIX, várias foram as tentativas de se acabar com o Entrudo, todas sem grande êxito.
O Carnaval moderno nasce na Europa vitoriana, nos anos 1860, tendo a cidade de Paris como a principal exportadora desta festa para o mundo. Assim, a cidade do Rio de Janeiro se inspira no Carnaval parisiense para a criação de sua própria festividade. Importou-se da França o gosto pela suntuosidade, pelo adereço rico e extravagante, que foi mesclado ao ritmo vivo e sincopado do samba, marcado pelos passos enérgicos e sensuais da dança de nosso povo. No início do século XX surgem os blocos de Carnaval, berço das “machinhas”; músicas executadas por instrumentos de percussão e sopro predominantemente, com letras de caráter jocoso, fazendo críticas políticas e sociais. Posteriormente, nascem, das camadas sociais periféricas, as Escolas de Samba que, com um admirável trabalho de caracterização cenográfica produz elaboradas representações acompanhadas de sambas-enredos em perfeita sincronia temática. Desta maneira, por analogia, afirmaria tratar-se o Carnaval carioca de uma autêntica representação operística de nosso povo, pois congrega várias artes (música, dança, poesia, teatro) em uma única e grandiosa manifestação cultural.

Por Vinícius Pereira

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