Cebolinha

Sábado, 29 de Junho de 2019.

Cebolinha

Mauricio de Souza é um predestinado. Em meio a tantos gibis estrangeiros que dominavam nossas bancas de jornais, e depois viraram filmes, e definiam nossos comportamentos e inspiravam sonhos de meninos, certo dia ele conseguiu emplacar uma revista infanto-juvenil em meio às feras como Tarzan, Mandrake, Fantasma e Snoopy.
Entre as histórias vividas na selva africana, da Chita e na agitação urbana de Nova York, do Homem-Aranha, fez vir à tona personagens que tinham a cara e os costumes do nosso país. Apenas Monteiro Lobato conseguiu, bem lá atrás, igual feito com seu Sítio do Pica Pau Amarelo. Seus personagens se meteram no vídeo entre a fazenda de Bonanza e as residências oficiais de Lassie e Rin-Tin-Tin em Hollywood.
Porém, o que nem ele imaginaria, diante do universo da nacionalidade explícita dos seus personagens, é que uma cria sua fosse convocada para atuar na seleção brasileira. E em meio a tantos jogadores com álbuns de figurinhas carimbadas atuando em bancas de jornais em terras poderosas. E distantes. Cebolinha, que orgulho, é o único titular da seleção brasileira que joga no seu próprio país.
Longe de receber a cultura esportiva europeia, de marcar mais do que jogar, de evitar o drible porque é mais seguro tocar para um companheiro desmarcado, e ter a posse de bola do que um instante de arte, Éverton, o Cebolinha, ainda carrega um pouco das peladas nos terrenos baldios da periferia de Chico Bento. Que tinha ao lado um Cascão para tabelar. E uma Magali para namorar. E parte pra cima dos adversários carregando junto a bola nossas esperanças, cultivadas na superação e na auto estima de um povo que ama e cultua o futebol acima de tudo.
A Turma da Monica não voa como o Super-Homem. Mas joga com a cara, o talento e a ousadia de cada um de nós, brasileiros.

Por José Roberto Lopes Padilha

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