Chegadas e partidas: a última coluna

Sexta, 09 de Novembro de 2018.

Chegou o dia da despedida. Quem imaginaria que uma conversa iniciada em agosto de 2015 duraria mais de 3 anos? Foram 148 colunas, num exercício imenso de preencher esse espaço para serem publicadas às sextas feiras. Quando iniciei, após um convite do então editor do jornal Tiago Tavares (a quem agradeço a oportunidade), me foi solicitado que debatesse especialmente as questões estaduais, nacionais e internacionais do debate político econômico. Tirando algumas colunas sobre carnaval (outra de minhas paixões) e uma cobrando ao legislativo municipal se Eduardo Cunha e Sergio Cabral seguiriam como possuidores das maiorias honrarias (medalhas) dadas por aquela casa (QUE FORAM POSTERIORMENTE CASSADAS), cumpri rigorosamente o que me solicitado. Por isso, preciso agradecer a oportunidade também a Fernando Ferreira (editor de dezembro de 2015 em diante) e José Romildo Pontes.
Como havia dito na 1ª coluna em 2015, cheguei em Três Rios em 2005 para lecionar na Faetec no curso normal superior. De lá para cá, ampliei profundamente o leque de relações com a cidade; joguei basquete no time da cidade e fiz amizades a partir do esporte que amo, (obrigado Pipe), fiz amizades com alunos, familiares e amigos; construí família com dois filhos (um trirriense e um juizforano, mas que veio para cá com 2 dias de vida. Então também é da terrinha).
Escrever num Jornal de circulação semanal ampliou bastante o alcance das minhas ideias. Para além da atuação docente na universidade (lecionar na graduação e pós graduação, orientar e avaliar trabalhos de monografia, Iniciação Científica, mestrado e doutorado em bancas, realizar conferências, escrever e corrigir artigos para revistas científicos), essa experiência obrigou-me a imaginar quem seriam os possíveis leitores desses textos.
Por aqui circularam reflexões de autores brasileiros e estrangeiros importantíssimos do pensamento crítico em geral, e marxista em particular. Karl Marx, Friedrich Engels, Antonio Gramsci, Nicos Poulantzas, Istvan Mészáros, Carlos Nelson Coutinho, Ricardo Antunes, Virginia Fontes, dentre outros animaram nossos debates. Guardem esses nomes. Hão de ajudar nas muitas lidas da vida e no esforço de interpretar (e também de transformar) o mundo, como escreveu Karl Marx na conhecida 11ª Tese de Feuerbach.
Variados temas da conjuntura nacional e internacional passaram por aqui desde agosto de 2015. Toda a conjuntura do início do II mandato de Dilma Rousseff (2015 e 2016), bem como os rumos tomados pelo governo golpista de Michel Temer (2016-2018), além é claro do que representou a eleição em 2018 do novo presidente- que já indicou que “muitas coisas do Governo Temer serão mantidas”. Discussões sobre os impactos para os trabalhadores e trabalhadoras de projetos terríveis como as Reformas trabalhistas e previdenciárias (que conseguimos barrar no governo golpista de Temer e agora ressurge como bandeira do novo governo). Esse espaço buscou atuar como trincheira de luta para que não restassem dúvidas das intencionalidades das classes dominantes brasileiras e estrangeiras na realização de seus interesses reais. Reformas apresentadas como de interesse nacional escondiam a elevação da exploração sobre os ombros dos trabalhadores. Os resultados terríveis da Reforma trabalhista estão aí. Diminuição do valor e do número de ações trabalhistas sem aumento do número de empregos. Nós avisamos seguidamente nesse espaço.
Por fim preciso agradecer aos leitores. Essa jornada só durou 3 anos devido interesse em ler essas mal traçadas linhas escritas por esse professor. Vocês ajudaram a realizar o sonho que eu tinha de escrever num jornal. Por isso, obrigado e até breve.

Marcelo Paula de Melo é doutor em Serviço Social (UFRJ) e professor da EEFD-UFRJ

Por Marcelo Melo

B01 - 728x90