Considerações sobre o fim de ano

Quinta, 28 de Dezembro de 2017.

Considerações sobre o fim de ano

Na época de fim de ano, muitas são as comemorações e festividades que acabam por contagiar a todos.
Os seres humanos geralmente experimentam um misto de sensações nesse período, há aqueles que se alegram por enxergarem essa data como uma oportunidade de rever a família e amigos, outros se sentem deprimidos por lamentarem uma solidão ou perdas, e há aqueles que curtem as festas visando se alegrar, comer, beber e trocar presentes.
Por falar em troca de presentes, essa é uma prática comume fomentada principalmente pela cultura ocidental capitalista, que estimula o “ter” em detrimento do ser. Ganhar presentes é bom, e extremamente prazeroso, contudo, principalmente os pais, devem ter cuidado para não transferirem aos filhos a “herança” do consumismo desenfreado, onde os desejos tornam-se insaciáveis e a busca frenética por novas conquistasacaba tornando-se a “mola” propulsora da vida.
Crianças não necessitam de brinquedos de última geração, de forma a atenderem à ditadura da compulsão e descartabilidade. Crianças precisam ser livres para brincar com o que possuem; devem ser autônomas para que assim possam criar alguns de seus brinquedos, precisam aprender a fantasiar e utilizar de simbolismos nas brincadeiras, onde uma simples caixa tem o “poder” de transformar-se em carro e um graveto de árvore em uma espada. Afinal, não é o preço do presente, nem tão pouco sua marca ou tempo de mercado que importa, e sim seu valor simbólico e afetivo.
Muito mais que presentes, as crianças necessitam, durante todo o seu desenvolvimento, de afeto, carinho, proteção, cuidado e atenção, é fundamental que sejam educadas de maneira a conhecerem não só os seus direitos, mas também os seus deveres. Através do ensino e do exemplo, os filhos vão incorporando ao próprio aparelho psíquico os conceitos de família e autoestima, construindo assim sua identidade.
Com o término do “ano velho”, muitas são as expectativas e promessas lançadas para o ano vindouro, contudo, mudar hábitos e comportamentos estabelecidos e cristalizados não é uma tarefa fácil, exige primeiramente identificação e posterior renúncia. Na realidade, a autoanálise deve ser uma prática cotidiana; a cada dia devemos avaliar nossas escolhas, nossas crenças, nossas atitudes e nosso nível de felicidade, só assim poderemos alcançar uma melhor qualidade de vida.

Psicóloga Bruna M. Spada Sant’Anna, Especialista no Atendimento de Casal e Família, Integrante do COMMUTRI – Conselho Municipal da Mulher Trirriense, Palestrante, Coautora do livro: Psicologia Temática e Colunista do Jornal ENTRE-RIOS e da Revista Minha Saúde.


Por Bruna Spada

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