Conto Árabe

Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Quarta, 28 de Agosto de 2019.

Conta-se que lá pelos tempos de Abad el Kabir havia um príncipe que era a personificação da soberba, do orgulho, da vaidade e do egoísmo. Certo dia, montou a cavalo e, diferentemente de outros dias, não permitiu que o acompanhassem. Tinha ouvido dizer que, num bosque não longe dali, existiam lugares onde quem não fosse muito experiente se perderia sem poder mais encontrar a saída. Não obstante isso, encaminhou seu corcel para o bosque e nele penetrou decididamente.
Seu grande amor-próprio não permitia conceber que houvesse inteligência que superasse a sua, e assim foi como disse a si mesmo:“Para que preciso de ajuda, se eu posso conhecer melhor do que todo o mundo os labirintos do bosque, e dele sair quando me aprouver!”
Uma vez no coração mesmo daquelas frondosas florestas virgens, deteve seu corcel para contemplar extasiado as maravilhosas paisagens que se ofereciam à sua vista.
Pouco a pouco, indo e voltando de um ponto a outro segundo o permitia a densidade do bosque, foi se afastando do caminho por onde tinha penetrado.
De repente, disse consigo: “É hora de voltar”, e esporeou seu cavalo, lançando-o a galope.
Muitas vezes teve de mudar de rumo, retroceder e prosseguir a marcha, ao perceber que tinha errado o caminho.
Anoitecia. Já fatigado, sedento e debilitado por tantas horas passadas sem provar alimento, pensou alarmado: “Se a noite me surpreende aqui, morrerei de medo.”
Logo sua mente começou a ofuscá-lo, e, em tal estado, ora clamava, ora reprovava a própria torpeza. O cavalo, que nada sabia de tudo quanto acontecia a seu dono, ao sentir que as rédeas estavam descuidadas, prosseguiu a marcha levado por seu instinto.
– “Oh! se Deus me salvar, pedirei ao Rei, meu pai, que conceda a primeira coisa que me for pedida!” – e, assim dizendo, começou a chorar amargamente.
Enquanto isso, o cavalo, que já tinha encontrado a trilha perdida, relinchou satisfeito. Isso produziu um forte sobressalto no príncipe, que, vendo o animal cheio de alegria, acariciou-o, dizendo-lhe:
– Se me salvares, eu te cobrirei com minhas vestes e te cumularei de atenções.
Pouco depois, ouviu ruídos, vozes e exclamações de júbilo: havia chegado ao lugar de saída, onde todos o esperavam cheios de ansiedade e angústia.
O Rei o recebeu em seus braços e o beijou.
– Meu filho, como você é inteligente! – disse –; já sabíamos que não se perderia.
– Não, pai, inteligente foi meu cavalo – respondeu o príncipe, indicando-o –, e eu lhe prometi que, se ele me salvasse, o vestiria com minha indumentária.
– Cumpra-o! – replicou o Rei, cheio de satisfação ao ver seu filho com tão humildes pensamentos.
Os cavalariços levaram o animal até o estábulo, adornado com a casaca, o gorro, o cinturão e a espada do príncipe.
Conta-se que, desde esse dia, o príncipe foi cordial, bom e altruísta, recomendando a todos que fossem humildes e não desestimassem nunca os conselhos de seus maiores, ainda que viessem daqueles de mais singela aparência ou condição.
Dentro em pouco, e em memória desta lenda, os camponeses passaram a vestir seus cavalos com arreios e adornos os mais vistosos, cuidando deles mais que de suas próprias vestimentas.
do livro Intermédio Logosófico, pág.47
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