Coretos: Origem, Apogeu e Decadência

Sábado, 27 de Abril de 2019.

Coretos: Origem, Apogeu e Decadência

Três Rios acordou melancólica no último domingo (21/04), quando encontrou seu coreto, situado na Praça da Autonomia, parcialmente pichado. Tão logo fora notificada, a Prefeitura providenciou para que fossem apagadas as marcas do vandalismo, o que traz certo alento aos corações daqueles que se preocupam com a preservação do patrimônio histórico. Isso, contudo, não encerra a discussão sobre a conservação dos bens culturais de nossa cidade.
Inaugurado em 1909, o coreto da Praça da Autonomia é um bem de grande relevância histórica para Três Rios. Sua estrutura, com base em pedras e corpo em serralheria, foi testemunha de importantes eventos políticos, cívicos e culturais. Nele discursaram os autonomistas que lideraram o movimento que culminou com a emancipação do município, em 1938. Sua importância ficou reconhecida através do tombamento pelo INEPAC, em 1992, e pela PMTR, em 1997. Apesar do carinho com que sempre fora tratado por alguns trirrienses, isso não bastou para impedir o ato vil de depredação.
Buscando compreender o ocorrido, percebi que sua falta de uso alimenta certa indiferença em parte da população que, com o tempo, passará a considerá-lo desnecessário. O não aproveitamento deste equipamento cultural poderá condená-lo à degradação. Deixo aqui minha sugestão ao poder público (PMTR) que viabilize sua utilização deste pelos artistas da cidade que, com certeza, lhe devolverá o esplendor do passado, conscientizando as futuras gerações da importância da preservação do patrimônio cultural.
A história dos coretos
Os coretos encontrados no Brasil são uma herança europeia vinda de Portugal no século XIX. Desde a Revolução Francesa surgiu, na Europa, um sentimento de compartilhamento do espaço público pelos cidadãos locais. A apreciação musical de passou a não estar restrita aos teatros e casas de espetáculo (muitos desses lugares inacessíveis às camadas sociais mais baixas). A partir do século XIX a expansão urbana na Europa traz novas concepções aos espaços públicos. As praças passam a ser o centro democrático de vivência das cidades. Os coretos exerceriam dupla função: recreativa, com apresentações musicais; e políticas, através de discursos e pronunciamentos.
O Brasil, na qualidade de colônia, importou esse modelo de construção, que é imediatamente absorvida em nossa paisagem urbana. Diversas praças passaram a abrigar coretos. No século XX, eram frequentes as apresentações musicais em praças, sendo uma oportunidade de se ver e ouvir pessoalmente os músicos. Essa atividade era uma das formas mais comuns de convívio social. A estrutura de base elevada permitia maior visibilidade dos músicos pelo público. A praça que possuísse tal construção tornava-se mais agradável e receptiva para o entretenimento da população.
Os coretos, como instrumento de entretenimento público, entram em decadência na década de 1950, com a popularização dos meios de comunicação, como o rádio e a televisão. Muitos permaneceram sem uso específico e foram abandonados pelo poder público, razão pela qual se encontram em mal estado de conservação.

Por Vinícius Pereira

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