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Covid-19 – indicadores mascarados, improvisos e a negação dos corpos

Sábado, 04 de Julho de 2020.

  Covid-19 – indicadores mascarados, improvisos e a negação dos corpos Dados recentes sobre a pandemia da covid-19 no Brasil contabilizam cerca de 1,5 milhão de pessoas confirmadas, 830 mil recuperadas e 60 mil mortes, evidenciando a gravidade da doença e riscos a que fica exposta parcela da população que resiste aderir às medidas de prevenção da disseminação do vírus. Sabe-se que os dados sobre evolução da pandemia estão sendo inflados por conta de interesses políticos. Da mesma forma, mais evidente se torna o descompasso entre planejamento, execução e avaliação fidedigna dos processos de diagnóstico, encaminhamento, terapêuticas e cuidados das pessoas infectadas pelo vírus, além dos nada seguros ambientes improvisados para internação de pessoas contaminadas pelo vírus. Em verdade, serviços de saúde que se prestem à internação clínica de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus devem dispor de ambientes com estrutura hospitalar, a exemplo dos hospitais de campanhadefinidos pelo Ministério da Saúde.

Assomados alguns complicadores decorrentes da incapacidade dos gestores públicos para lidar com situações emergentes da pandemia que, diga-se de passagem, não se justificam pelo fato de haver sido disponibilizado aos mesmos o “Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pela Pandemia”, de fevereiro de 2020, instrumento norteador do planejamento a ser implementado pelos gestores estaduais e municipais. Tanto quanto de amplo acesso aos interessados a Nota Técnica nº 04/2020, de janeiro de 2020, lançada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), para que os serviços de saúde elaborassem, disponibilizassem de forma escrita e mantivessem disponíveis, normas e rotinas dos procedimentos envolvidos na assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo covid-19, Tais como: fluxo dos pacientes dentro do serviço de saúde, procedimentos de colocação e retirada de equipamentos de proteção individual (EPI), procedimentos de remoção e processamento de roupas/artigos e produtos utilizados na assistência, rotinas de limpeza e desinfecção de superfícies, rotinas para remoção dos resíduos.

Assim sendo, não caberia o bate cabeças identificado entre gestores administrativos e técnicos da área de saúde, no momento em que foram se avolumando as buscas da população por atendimentos dos casos suspeitos, de pequena, média e alta complexidade clínica, com tratamento e o acesso a procedimentos de maior complexidade, por vezes requerendo cuidados em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Desguarnecidos de EPI para atender a demanda até mesmo para suprir necessidade de paramentação das equipes atuantes na linha de frente da pandemia, médicos, enfermeiros e equipes, os serviços públicos de saúde na atenção básica ficaram engessados e sem EPI para garantir medidas preventivas em famílias com pessoas contaminadas pelo vírus, quando recomendada quarentena domiciliar.

Bem no núcleo desse furacão a população, mais uma vez, se viu sem chão, em meio a um amontoado de informações que não colaboram para esclarecer elementos básicos que tanto necessita. Como se não bastasse, ainda enfrenta a desumana aberração de ser impedida de velar seus mortos, sequer as “autoridades” permitem que familiares tomem ciência do local onde foram sepultados seus entes queridos. Que Deus nos dê forças para enfrentar e vencer todas as angustiantes humilhações e inverdades plantadas com objetivos exclusivamente ambiciosos dos que moralmente deveriam nos proteger.

Por Dr. Willian Machado

Crédito da Foto: Reprodução/Arte ERJ